Senador vê relevância em indiciar Moraes, mas critica relatório de Vieira: “Pífio”
Condução da CPI do Crime Organizado desagradou Magno Malta, que classificou o colegiado como "conversa de bêbado para delegado"
O senador Magno Malta (PL-ES) disse nesta terça-feira, 14, em entrevista a O Antagonista, que o pedido de indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) no relatório final da CPI do Crime Organizado é “relevante”. Entretanto, ele criticou o documento de maneira geral, por não trazer oitivas que acredita que deveriam ter sido feitas.
“Ele [o relatório] tem cara de pífio. Numa CPI de Crime Organizado, os primeiros a serem convocados, que é um requerimento meu, mas infelizmente não foram, seriam o Marcinho VP, líder do Comando Vermelho, e o Marcola, líder do PCC, mais o Fernandinho Beira-Mar, que é mais ou menos um independente entre eles todos, que tem um comando muito forte e que fala das entranhas já de muito tempo nas vísceras no Estado”, declarou Malta.
Os requerimentos do senador para convocar os líderes de facções não foram analisados pela CPI, que encerrará seus trabalhos nesta terça-feira, 14, com a votação do relatório apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
Para Malta, que é membro titular da comissão, Marcinho VP, Marcola e Fernandinho Beira-Mar poderiam dar aos senadores “todo um panorama para fazer uma CPI com consistência”.
“Essa CPI poderia ter ido muito longe, com o apoio da sociedade. Imagina se traz para cá o Marcinho VP, que é o chefe do Comando Vermelho, se traz para cá o Marcola, se traz para cá o Fernadinho Beira-Mar, aí, sim, a sociedade poderia acreditar, porque são pessoas muito fortes que estão presas há muito tempo e, aliás, foram investigadas pela CPI do Narcotráfico”, afirmou.
“Acho que pelo menos [os membros da cúpula da comissão] deveriam ter lido o relatório da CPI do Narcotráfico, que aconteceu em 1997, quando eu fui presidente dela, e que já trata de todas essas questões que essa CPI [ficou] ‘não, traz o governador tal para ouvir, traz o ex-governador tal’, conversa de bêbado para delegado“, pontuou.
A condução da CPI desgaradou o senador do PL, que classifica o colegiado como “conversa de bêbado para delegado”. O presidente da comissão é o senador Fabiano Contarato (PT-ES).
“Acho que o que tem de relevante ali nesse final é o pedido de indiciamento do Dias Toffoli, do Gilmar Mendes e do Alexandre de Moraes. Que já deveriam estar fora do Supremo. Mas estamos pedindo o indiciamento para quem, para o Gonet? Que é um motoboy de Gilmar Mendes? Chegamos num momento em que o crime organizado são as autoridades do Brasil. Aí você vai pedir para o próprio crime organizado indiciar o crime organizado e punir o próprio crime organizado”, disse Magno Malta.
“É um negócio muito chato, muito deprimente. Mas o fato de passar 120 dias de conversa de bêbado para delegado, conversa de bêbado para delegado a CPI foi“.
Apesar das críticas, o senador diz que votará a favor do relatório de Vieira, por causa da exposição que promove das possíveis irregularidades cometidas por ministros do Supremo, ao pedir os indiciamentos.
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