Senado dá start a CPI do crime organizado tentando fugir da polarização
O primeiro depoimento será do delegado-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; diretor de Inteligência também será ouvido
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do crime organizado no Senado começa a sua fase de depoimentos nesta terça-feira, 18, sob o desafio de fugir da polarização entre bolsonaristas e petistas.
A disputa entre esses dois polos políticos foi vista como determinante para travar parte das investigações da CPMI do INSS. Graças à atuação de petistas, houve a blindagem a personagens importantes como o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), o José Ferreira da Silva, chamado de “Frei Chico“, irmão do presidente Lula.
Tanto o relator do colegiado, Alessandro Vieira (MDB-SE), quando o presidente do colegiado, Fabiano Contarato (PT-ES), tem demonstrado que terão uma postura absolutamente imparcial durante as investigações. A colegas do PT, Contarato tem reiterado que antes de ser político, ele é delegado de polícia e professor.
Na visão de integrantes do partido, a mensagem foi clara: dificilmente o partido vai conseguir controlar a investigação, como, por exemplo, conseguiu com a CPMI do INSS.
Alessandro Vieira também é tido como um parlamentar linha dura sem comprometimento com qualquer uma das principais correntes ideológicas que hoje dominam o debate político no país. Ele apresentou um plano de trabalho baseado em nove tópicos, entre os quais ocupação territorial, sistema prisional e lavagem de dinheiro.
O primeiro ouvido pela CPI do crime organizado
O primeiro a ser ouvido pela CPI será o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Augusto Passos Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa.
As duas oitivas atendem a requerimento do relator da CPI. Segundo Vieira, a presença da cúpula da Polícia Federal é fundamental para que a CPI compreenda o atual diagnóstico sobre o poder das organizações criminosas, o grau de infiltração nos estados e o impacto das estruturas de lavagem de dinheiro que alimentam milícias, facções e redes de atuação transnacional.
Os depoimentos também servirão como subsídio para o acompanhamento do Projeto de Lei das Facções Criminosas. Encaminhada ao Congresso pelo governo, o texto, que tramita na Câmara dos Deputados, endurece o combate a organizações estruturadas, cria mecanismos de rastreamento financeiro e prevê regras mais rígidas para líderes e financiadores.
Os senadores devem buscar informações, especialmente, sobre a cooperação entre forças de segurança, exemplificados pelo êxito da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que atuou em conjunto com a Receita Federal e o Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), para atuar contra um grupo criminoso que usava fintechs e postos de gasolina para lavagem de dinheiro da maior facção criminosa do estado de São Paulo.
Com informações da Agência Senado
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