“Sempre estivemos abertos ao diálogo”, diz Lula
Presidente defendeu soberania nacional e afirmou que o governo está trabalhando para dar "resposta às tarifas" impostas pelos EUA
O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta, 1º, que o governo federal sempre esteve “aberto ao diálogo” com os Estados Unidos a respeito do tarifaço.
Em publicação no X, o petista voltou a defender a soberania do país e prometeu “dar as respostas às medidas tarifárias” impostas pelo governo Trump.
“Sempre estivemos abertos ao diálogo. Quem define os rumos do Brasil são os brasileiros e suas instituições. Neste momento, estamos trabalhando para proteger a nossa economia, as empresas e nossos trabalhadores, e dar as respostas às medidas tarifárias do governo norte-americano”, escreveu.
A postagem foi feita horas após Trump afirmar que está aberto ao diálogo com Lula: “Ele pode falar comigo quando quiser”.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, valorizou a sinalização do presidente americano.
“Acho ótimo, e a recíproca tenho certeza que é verdadeira. Conforme já disse antes é muito importante a gente preparar essa conversa”, disse.
Desde que tomou posse, em 20 de janeiro, Trump não conversou diretamente com Lula.
Leia mais: Trump sobre Lula: “Pode falar comigo quando quiser”
Vieira e Rubio
Como mostramos, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou como secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na quarta, 30.
O encontro, a contragosto do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) – que está nos EUA explorando o ‘tarifaço’ sobre produtos brasileiros para pressionar por anistia ao pai, Jair Bolsonaro, – serviu para Vieira expressar a insatisfação do Brasil em relação à “inaceitável e descabida a ingerência na soberania nacional, no que diz respeito a decisões do poder judiciário do Brasil”.
“Me reuni hoje com o secretário de Estado, Marco Rubio, para discutir o estado atual da relação bilateral. Reiterei que o Brasil está aberto a dar segmento às negociações comerciais iniciadas em 7 de março deste ano e paralisadas desde a divulgação da carta do presidente Trump de 9 de julho corrente. Enfatizei que é inaceitável e descabida a ingerência na soberania nacional no que diz respeito a decisões do Poder Judiciário do Brasil, inclusive a condução do processo judicial no qual é réu o ex-presidente Bolsonaro. Afirmei que o Poder Judiciário é independente no Brasil, tanto como aqui, e que não se curvará a pressões externas”, disse.
‘Tarifaço’
O governo dos Estados Unidos anunciou na quarta-feira, 30, a imposição de uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, elevando para 50% a alíquota total aplicada ao país.
A medida foi oficializada por meio de uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump e classificada pela Casa Branca como resposta a ações do governo brasileiro que, segundo Washington, representam uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA.
As tarifas adicionais entram em vigor a partir de 1° de agosto.
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