“Se Bolsonaro precisar que eu leve cigarros, conte comigo”
Frase é do advogado de Almir Garnier, o ex-senador Demóstenes Torres, que usou 20 minutos de sua sustentação oral para elogiar ministros do STF
O advogado de Almir Garnier, o ex-senador Demóstenes Torres, afirmou há pouco durante o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) que ele é a única pessoa que tem apreço tanto pelo ex-presidente quanto pelo ministro Alexandre de Moraes.
“É possível gostar do ministro Alexandre de Moraes e do ex-presidente Jair Bolsonaro? Sim, sou eu”, declarou Torres.
Durante sua sustentação oral, Torres – que foi cassado durante o escândalo da CPI do Cachoeira em 2012 por suposto envolvimento com o empresário Carlinhos Cachoeira (classificado na época como bicheiro) – citou um episódio em que encontrou Jair Bolsonaro no aeroporto de Brasília e declarou: “Se Bolsonaro precisar que eu leve cigarros [na prisão], conte comigo”, declarou o advogado e ex-parlamentar.
A frase arrancou risadas da plateia da Primeira Turma do Supremo.
Torres usou aproximadamente 20 minutos de uma hora de sua sustentação oral apenas para tecer elogios a integrantes da Corte e lembrar histórias do passado. Logo no início de sua exposição, o advogado declarou que a fórmula para tentar convencer Moraes de uma absolução de alguns clientes seria se ater aos autos do processo.
Garnier, ao lado de Jair Bolsonaro, faz parte do chamado ‘núcleo 1’ da trama golpista, ou “núcleo crucial”. Além de Bolsonaro e Garnier, começarão a ser julgadas: o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ); o ex-ministro da Justiça Anderson Torres; o general da reserva e ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional Augusto Heleno; o tenente-coronel e ex-ajudante de ordens da Presidência da República Mauro Cid; o general e ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira; e o general da reserva e ex-ministro da Casa Civil Walter Braga Netto.
O ex-presidente e os demais réus serão julgados por cinco crimes: organização criminosa armada; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima; e deterioração de patrimônio tombado.
Processo inédito contra Jair Bolsonaro
O processo é inédito.
Nunca um ex-chefe do Poder Executivo foi processado por tentativa de golpe de Estado no país. E a tendência é que Jair Bolsonaro seja condenado. A dúvida, entre os integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), é saber por quais crimes. Caso o Supremo entenda que Bolsonaro cometeu todos os crimes, o ex-presidente poderá receber uma condenação de até 43 anos de prisão. O político do PL é acusado de liderar uma organização criminosa para dar um golpe de Estado após a eleição vencida por Lula (PT) em 2022.
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