“Santa Catarina merece um pouco de respeito”, diz Campagnolo
Deputada estadual do PL falou ao Meio-Dia em Brasília sobre a divergência aberta pelo plano de Carlos Bolsonaro de se candidatar em seu estado
A deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) reforçou, em entrevista ao Meio-Dia em Brasília desta quarta-feira, 5, suas críticas ao plano do vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL) de se candidatar ao Senado por Santa Catarina.
“É preciso deixar claro que, em setembro deste ano, o presidente do PL, o nosso presidente Valdemar Costa Neto, se pronunciou, numa entrevista ao vivo, em rede nacional, todos puderam ver, onde ele diz que o Amin é o candidato do Bolsonaro, onde ele diz que o Bolsonaro faz questão que o Amin esteja na coligação”, disse a deputada, referindo-se ao senador Esperidião Amin (PP).
Campagnolo tem discutido por meio das redes sociais e de entrevistas com Carlos e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que publicou um vídeo em seu canal no YouTube na noite de terça-feira, 4, para defender a candidatura do irmão e cobrar lealdade da aliada.
Leia análise: As capitanias hereditárias do bolsonarismo
Carol de Toni
A candidatura de Carlos deve levar a deputada federal Carol de Toni (PL-SC), liderança consolidada do PL em Santa Catarina, a migrar para o Novo para manter sua candidatura ao Senado, o que ameaça prejudicar o entendimento entre o PL e o PP de Amin, que espera pelo apoio de Bolsonaro.
“Tem gente já dizendo que eu estou interessada ou na vaga de deputada federal ou na vaga de Senado, e isso não procede. Eu apenas estou falando sobre o que interessa ao estado catarinense e sou eu a única que pode falar, sendo deputada estadual, porque muitos outros poderiam estar sendo ameaçados dos seus sonhos, dos seus projetos. Então eu estou, digamos assim, em uma boa condição para poder falar sobre isso”, comentou a deputada.
“O meu ponto, e o principal confronto que está existindo entre mim e o Carlos Bolsonaro, é que eu estou tentando dizer, estou tentando convencê-lo, estou tentando mostrar a ele que ele poderia ser senador por qualquer outro estado e que a vinda dele a Santa Catarina tira Carol de Toni do nosso partido”, seguiu Campagnolo,
Lealdade
“Eles entendem que a minha lealdade tem que ser expressa em apoiar os planos do Carlos, mesmo que eu esteja dizendo claramente que o plano do Carlos aqui no nosso estado tira a Carol de Toni do partido, enfraquece o PL, cria uma inviabilidade para a coligação com o Amin”, comentou a deputada, acrescentando que Carlos e Eduardo ainda não tiveram a coragem de admitir que “a chegada do Carlos rifou Carol de Toni”.
“O senador Jorge Seif, que acabou de me xingar lá na tribuna catarinense. O que é um absurdo em si, o senador catarinense usando a tribuna para atacar uma representante catarinense que está defendendo uma candidatura catarinense, uma loucura. Mas o senador Jorge Seif, que acabou de me atacar, também disse na mesma entrevista que os candidatos dele são Carlos, Carol e Amin. Como é que você vai ter três candidatos se são duas vagas?”, questionou Campagnolo.
A deputada disse ainda que, apesar dos desentendimentos, não pretende abandonar o projeto do PL, nem o bolsonarismo.
“Eu tenho 75 vereadores, 120 somando com secretários e suplentes. Eu tenho uma base forte aqui, não vou abandonar o partido. Eu não estou discordando que a família do presidente precisa ser protegida”, comentou, referindo-se à intenção de Jair Bolsonaro de “proteger” o filho Carlos do Supremo Tribunal Federal (STF) com uma vaga no Senado, mencionada por ela mesma.
“Respeito”
“Meu ponto é que, estrategicamente, para a direita nacional, mas principalmente para o estado de Santa Catarina, a vinda dele prejudica e desorganiza o partido dele mesmo, o partido do qual ele faz parte, do qual o Eduardo faz parte”, disse reforçando seu apoio a Bolsonaro e criticando sua prisão, além de sugerir que Carlos tente se eleger em outro estado, como Minas Gerais ou São Paulo.
“Eu estou me importando com o time 22 catarinense, com os catarinenses que também os ajudam, que são leais a ele. Veja bem, olha que interessante: se você entrega para o Bolsonaro 70% dos votos, que é o caso de Santa Catarina, se você ajuda a eleger o Bolsonaro, se você apoia o Bolsonaro, o que que você merece? O que o estado de Santa Catarina merece? Nós merecemos um pouco de respeito. Ninguém encontrou com as nossas lideranças, deputados estaduais, federais, fez uma reunião e pensou sobre isso: será que é bom? Será que é positivo?”, questionou.
Assista ao programa na íntegra:
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)