Rollemberg vai protocolar pedido de CPI do Banco Master na volta do recesso
Deputado federal quer conversar com o presidente da Câmara para garantir instalação do colegiado e defende relatoria independente
O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) afirmou nesta terça-feira, 13, em entrevista a O Antagonista, que vai protocolar o requerimento de criação da CPI do Banco Master na volta do recesso parlamentar, que vai até 1º de fevereiro. O congressista já conseguiu as 171 assinaturas necessárias para apresentar o pedido da Comissão Parlamentar de Inquérito, mas vai buscar mais apoio até o início do próximo mês.
“Vamos continuar colhendo assinaturas até o final do recesso. Tão logo inicie-se a nova sessão legislativa, vamos protocolar o requerimento e vamos conversar com o presidente Hugo Motta no sentido de fazer a instalação imediata dessa CPI. O caso, como já foi relato aí, é de fato muito grave. Estamos falando de um fato objetivo, que originou o pedido dessa CPI, que é, talvez, a maior fraude no sistema financeiro da história do país”, pontuou Rollemberg.
“É algo difícil de imaginar como um banco que tinha até então credibilidade, como o BRB, pode comprar 12,2 bilhões de reais de títulos inexistentes. Ou seja, uma fraude, de 12,2 bilhões de reais que teve sob o comando diretamente o governador Ibaneis Rocha [do DF]”.
O deputado prosseguiu: “Eu lembro que nós denunciamos, o PSB, o Ricardo Cappelli, eu, denunciamos essa operação ainda quando ela estava em curso, antes de o Banco Central tomar a sua decisão da liquidação, junto ao Ministério Público Federal, Polícia Federal, ao BC, e o governador Ibaneis fazia questão de defender de forma enfática a operação. E mais do que isso: mesmo depois da decisão do BC, o governador Ibaneis insistiu na operação”.
A coleta de assinaturas por Rollemberg para o requerimento da CPI teve início após a deflagração da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal, no âmbito da qual foi preso o dono do Master, Daniel Vorcaro, e outras seis pessoas, e houve o afastamento da diretoria do BRB.
Segundo o deputado, que é ex-governador do DF, depois da operação ficou evidente “que a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB por 2 bilhões de reais era uma forma de esconder as operações anteriores, que são essas de compra de 12,2 bilhões de reais de títulos inexistentes”.
Ele ressalta ainda que informações do Banco Central e da Polícia Federal demonstram que, mesmo após o BRB tentar trocar parte desses títulos, “o rombo do Banco Regional de Brasília hoje é superior a 5 bilhões de reais”. “Portanto, é um crime de gravíssimas proporções que precisamos investigar, identificar os responsáveis, puni-los e buscar o sequestro de parte desse dinheiro para tentar reduzir o prejuízo do BRB”.
Laços construídos por Daniel Vorcaro
Para o deputado, a CPI conseguirá identificar também todos os laços construídos por Daniel Vorcaro que possibilitaram a fraude.
Rollemberg defende que a relatoria e a presidência da comissão sejam ocupadas por deputados independentes, que “não tenham nenhum vínculo com o Banco Master, que tenham total independência para poder investigar o que precisar ser investigado, de forma profunda, de forma isenta”.
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