Rogério Marinho diz que 73% dos presos votaram em Lula e gera bate-boca no Senado
Senador criticou o governo durante debate sobre aumento do teto do MEI e teve o microfone cortado após confronto com a presidência da sessão
O senador Rogério Marinho (PL-RN) provocou uma discussão no plenário do Senado nesta quinta-feira, 15, ao associar o presidente Lula (PT) à população carcerária e afirmar que 73% dos presos votaram no petista. A declaração ocorreu durante o debate sobre o aumento do teto de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI), aprovado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira, 14.
Na tribuna, Marinho afirmou que a diferença entre os grupos políticos estaria na relação com a criminalidade. “De um lado, nós temos um partido que 73% dos presos votaram em Lula agora na eleição. 73%. Então, o lado onde estão os criminosos é um lado. O nosso lado é o outro lado”, declarou.
O senador insistiu no argumento ao ser interrompido pela presidência da sessão. “73% da população carcerária votou no Lula”, repetiu.
A fala provocou uma reação do senador Camilo Santana (PT-CE), que respondeu a Marinho: “Quem condecorou miliciano não fomos nós”.
Na sequência, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), interveio, pediu atenção ao plenário e determinou o encerramento da manifestação de Marinho. O senador teve o microfone cortado após insistir em concluir o raciocínio.
Críticas ao governo e ao aumento de despesas
Antes do confronto, Marinho havia criticado a condução da política fiscal do governo Lula, embora tenha reconhecido o mérito da proposta de ampliação do limite de faturamento do MEI.
O senador afirmou que o projeto representa uma medida necessária para os pequenos empreendedores, mas questionou o momento de sua aprovação e a ausência de previsão dos gastos no Orçamento de 2027.
“O mérito deste projeto é inegável. Todos nós aqui vamos votar a favor. Nós sabemos que o microempreendedor individual precisa ser ajudado, reforçado pelo governo federal, mas nós temos que fazer escolhas”, disse.
Marinho afirmou que o governo já teria apresentado ao Congresso uma proposta orçamentária que exige ajustes de quase 60 bilhões de reais diante de novas despesas e renúncias de receitas. Segundo ele, a ampliação do teto do MEI e outras medidas anunciadas posteriormente pressionam ainda mais as contas públicas.
O senador também relacionou a situação fiscal ao aumento dos preços dos alimentos e à falta de confiança na condução econômica do governo.
“Mesmo que isso signifique o aumento de preços para a população mais fragilizada, que vocês dizem que defendem, mas usam essa população”, afirmou, ao criticar o que classificou como um projeto de perpetuação do PT no poder.
Marinho ainda argumentou que a política fiscal do governo contribui para manter os juros elevados e dificulta a atividade dos empreendedores.
Senador cita Flávio Bolsonaro e eleição
Ao defender uma mudança na condução econômica do país, Marinho mencionou o desempenho do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e afirmou que a perspectiva de vitória da oposição já teria produzido efeitos positivos no mercado financeiro.
Segundo Marinho, a saída de Flávio na frente no primeiro turno teria sido acompanhada por uma alta de sete pontos percentuais na Bolsa de Valores e por quedas do dólar e dos juros futuros.
O senador também acusou o governo de apresentar projeções orçamentárias incompatíveis com a realidade das contas públicas e afirmou que a próxima administração poderá ser obrigada a promover contingenciamentos e suspender ações governamentais.
Ao final, Marinho sustentou que a disputa eleitoral representa um confronto entre diferentes visões de país. A declaração sobre os presos e Lula, seguida da resposta de Camilo Santana e do corte do microfone, encerrou a participação do senador no debate.
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Comentários (1)
Marian
15.10.2026 18:42Ele disse alguma mentira?