Rodrigo Prando na Crusoé: Está surgindo o “kassabismo”?
Em um cenário de polarização exaustiva, Gilberto Kassab não promete redenção nem ruptura. Ele oferece método, cálculo e governabilidade
Ao fim de 2025, o senador Flávio Bolsonaro afirmou-se como o sucessor ungido por seu pai, Jair Bolsonaro, inelegível e preso por, entre outros crimes, tentativa de golpe de Estado.
O ano eleitoral de 2026, por sua vez, já traz seus primeiros movimentos relevantes: a recente filiação de Ronaldo Caiado ao PSD (Partido Social Democrático), presidido por Gilberto Kassab.
Caiado, assim, encontra-se no partido ao lado de Ratinho Júnior e Eduardo Leite formando uma trinca de atores políticos presidenciáveis.
Nas palavras de Kassab, é “zero” a hipótese de o PSD não ter candidato à Presidência. Contudo, não se sabe, ainda, quem seria a cabeça de chapa.
Não obstante essa indefinição, o jogo político começa a abrir distintas possibilidades e, com isso, uma tentativa de romper com a polarização que se desenha entre Lula e Flávio Bolsonaro, em um virtual segundo turno.
Passemos, aqui, a uma provocação conceitual: estaremos assistindo ao surgimento de um “kassabismo”?
O sufixo “ismo” é amplamente utilizado para designar doutrinas, correntes de pensamento, ideologias, movimentos políticos ou estilos de ação coletiva.
Em termos históricos e sociológicos, ele costuma cumprir duas funções principais:
1) sistematizar um conjunto relativamente coerente de ideias, práticas ou valores (liberalismo, marxismo, conservadorismo, por exemplo);
2) associar essas ideias a uma figura, escola ou tradição reconhecível (getulismo, malufismo, lulismo, bolsonarismo, p.e.).
No Brasil, o uso do “ismo” costuma ser rapidamente associado ao personalismo e ao populismo (em distintos graus), mas essa associação não é necessária nem conceitualmente obrigatória.
O “ismo” pode designar, também, quem sabe, uma forma de operar o poder, de articular alianças, de organizar o sistema partidário e de reduzir incertezas em contextos de fragmentação.
É nesse sentido que surge a provocação do “kassabismo”.
Gilberto Kassab não é um líder popular nem carismático, tampouco mobiliza massas.
Sua centralidade política decorre de outra lógica: a da…
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