Rodolfo Borges na Crusoé: Liberdade para errar
Para além do oportunismo eleitoreiro de Lula, proibição das bets trata os brasileiros mais uma vez como incapazes
Lula incluiu entre as últimas cartadas desesperadas de sua campanha de reeleição uma medida provisória para proibir as bets no Brasil. O presidente claramente se guia pela pauta eleitoral, aproveitando-se da impopularidade das apostas esportivas, condenadas pelas dívidas dos brasileiros.
O argumento é malicioso: concentra-se nos efeitos do jogo nas vidas de viciados — o que é realmente um problema —, mas projetando esse vício para o que, em maior parte, é simplesmente falta de instrução de quem joga. O brasileiro não está endividado apenas por causa das bets, mas principalmente por causa do cartão de crédito, e pelas taxas de juros impostas pelo governo.
Há uma crueldade, portanto, nessa medida eleitoreira de Lula. O governo não deixou alternativa ao Banco Central senão manter a taxa básica de juros em valor recorde por muito tempo, por causa de sua resistência em cortar os próprios gastos, e agora põe a culpa nas apostas esportivas.
O fim?
Os clubes de futebol chiaram, porque as bets se tornaram parte relevante de seus orçamentos. A reclamação de muitos deles, que falaram no “fim do futebol brasileiro”, soou exagerada e dramática, mas o oportunismo do desesperado governo Lula é muito pior, por suas consequências.
A gestão do petista autorizou a atuação das bets de olho nos impostos com prazo até 2030, e conseguiu bancar parte de seus gastos astronômicos com eles. Agora, propõe romper o contrato de uma hora para outra, para tentar se reeleger, sem ligar para a insegurança que isso causa.
Além de tudo, trata os brasileiros, mais uma vez, como quem precisa de tutela máxima, como se houvesse no país uma legião de viciados, e não de pessoas sem noção do que fazer com o próprio dinheiro, de como lidar com o que recebem por mês ou investir, e ludibriadas por um governo que sobrevive à base de oferecer crédito e, depois, de programas de renegociação das dívidas.
Erros
“A individualidade tem o seu próprio campo de atuação. Na conduta dos seres humanos uns para com os outros, é necessário que regras gerais sejam, em grande parte, observadas, para que as pessoas saibam o que esperar; contudo, nos assuntos de cada um, a sua espontaneidade individual tem direito ao livre exercício”, diz Stuart Mill no clássico Sobre a Liberdade, que..
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