Rodolfo Borges na Crusoé: Golpe Jim Carrey no Corinthians
Há uma ligeira diferença entre conquistar um império e pilhá-lo, disse Victor Hugo sobre Luís Bonaparte; a lição vale para os corintianos
Marx cita Hegel no início de O 18 de Brumário de Luís Bonaparte para dizer que “todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes”, “a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. No caso do Corinthians, parece mais uma comédia (para quem não é corintiano).
O autor de O Capital compara o golpe de Luís Bonaparte, em 1851, ao de Napoleão Bonaparte, em 1799, para criticar a “tragédia” de Napoleão I e debochar da “farsa” de seu sobrinho, Napoleão III. A descrição de Marx para a época de Luís Bonaparte, que vai resumida abaixo, lembra o Corinthians de 2025:
“O período que temos diante de nós abrange a mais heterogênea mistura de contradições clamorosas: constitucionalistas que conspiram abertamente contra a Constituição; revolucionários declaradamente constitucionalistas; uma Assembleia Nacional que quer ser onipotente e permanece sempre parlamentar; (…) um Poder Executivo que encontra sua força em sua própria debilidade e sua respeitabilidade no desprezo que inspira; uma República que nada mais é do que a infâmia combinada de duas monarquias, a Restauração e a monarquia de julho, com rótulo imperialista; alianças cuja primeira cláusula é a separação; lutas cuja primeira lei é a indecisão; agitação desenfreada e desprovida de sentido em nome da tranquilidade, os mais solenes sermões sobre a tranquilidade em nome da revolução; paixões sem verdade, verdades sem paixões, heróis sem feitos heroicos, história sem acontecimentos.”
Impeachment
Augusto Melo chegou à presidência do Corinthians como se estivesse caindo numa armadilha.
Venceu a chapa da situação, mas encontrou um campo minado, e fez questão não apenas de pisar em todas as minas, mas de armar novas bombas, como o contrato com a VaideBet, e estourá-las com requintes de crueldade.
O contrato…
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