Roberto Reis na Crusoé: O mito do debate
Quem para duas ou três horas para assistir a candidatos discutindo o Brasil já está dentro da eleição
Dias atrás, escrevi aqui em Crusoé que a televisão ainda vale tanto quanto a internet nas eleições.
Então pode parecer contraditório dizer agora que o debate vale menos do que você pensa.
Não é.
Televisão e debate não são sinônimos. Uma invade a rotina do eleitor. O outro exige hora marcada e muito interesse prévio.
A televisão continua poderosa porque alcança um eleitor muito específico e difícil de encontrar: aquele que não está procurando política.
Ela chega em grande escala, sem depender de curtida. Escapa, por óbvio, da bolha do algoritmo. E, pela repetição, transforma aquele nome distante em um rosto conhecido.
Mas a maior força da TV é ainda mais simples: ela pega o eleitor desprevenido.
O sujeito ligou para ver o jornal, a novela, o futebol ou qualquer outra coisa.
O debate faz quase o contrário.
Quem para duas ou três horas para assistir a seis candidatos discutindo o Brasil já está, em grande parte, dentro da eleição. É um público informado, interessado, mobilizado e, quase sempre, com um lado bem definido.
Sim, esse público, em grande parte, meus caros, já tem dono.
Por isso, convém partir de uma constatação incômoda: poucos eleitores atravessam a rua por causa de um debate.
A minha percepção sobre o tema é que debates informam e ajudam a formar impressões. Mas reforçam preferências com mais frequência do que convertem adversários.
O eleitor que acompanha política costuma ser mais fiel.
E não abandona seu candidato por qualquer tropeço. Ele engole defeitos, passa pano, relativiza suas gafes e faz vista grossa.
Não assiste procurando cabelo em ovo no próprio campo. Assiste esperando que o seu candidato detone o outro…
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