Roberto Reis na Crusoé: O freio de mão de Lula
O eleitor associa preço alto, crédito caro, imposto, renda curta e frustração diária ao poder que está sentado na cadeira da Presidência
O Brasil chega a 2026 com a corda no pescoço.
Em janeiro, 79,5% das famílias tinham algum tipo de dívida, no teto da série histórica.
O crédito às famílias já ronda 4,8 trilhões de reais, algo perto de 37,7% do PIB.
Quase 30% da renda mensal já vai embora com parcelas e faturas.
Em quase um em cada 5 lares, mais da metade do que entra no mês já nasce comprometida.
E, adivinhe, é esse eleitor que vota. Aliás, é esse também que responde pesquisas.
Sim, na minha opinião, isso pesa contra o incumbente, principalmente nos meses dos boletos: IPTU, IPVA, matrícula escolar, parcelas do cartão de crédito.
A classe média luta entre isso, o supermercado rotineiro, o aluguel, as parcelas do carro e o cartão com os maiores juros do mundo. O atraso da escola vira bola de neve. O conserto do carro, que sempre vem, desestrutura a família.
Esse é o Brasil real, que tem medo de passar a compra e ouvir a maquininha negar.
A inadimplência virou uma pandemia silenciosa e vergonhosa.
O país abriu o ano com dezenas de milhões de brasileiros negativados.
A inadimplência é parte integrante dessa paisagem: 29,3% das famílias têm contas em atraso e 9% já admitem que não conseguirão regularizar.
O ponto mais pesado está nas dívidas antigas, travadas há 4 ou 5 anos, que foram empurradas, empurradas, renegociadas, abandonadas e agora são âncoras na classe média.
O motor da asfixia
O cartão de crédito segue, claro, no centro da engrenagem. Ele aparece em 85,4% das famílias endividadas. Carnês ainda têm peso.
O crédito pessoal cresceu, e isso diz muito: muita gente já toma empréstimo para pagar dívida anterior.
A renda baixa sofre mais. Entre famílias de até três salários mínimos, 82,5% estão endividadas.
A isenção do imposto de renda, que o governo pensou que iria capitalizar, nesse cenário derrete como gotas de água em uma frigideira quente.
A pressão também vem de cima. A carga arrecadatória aumentou estupidamente, a sensação de sufoco tributário se espalhou pela classe média e o custo de vida continua alto na percepção popular, apesar dos dados de desaceleração da inflação do IBGE.
Depois da pandemia, a memória coletiva consolidou uma conclusão simples…
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