Roberto Reis na Crusoé: Lula é menor do que imagina
Um governo que ajuda alguém a subir um degrau precisa compreender o desejo de alcançar o próximo
Mano Brown tocou numa ferida que o PT aprendeu a cobrir com bandeiras e fotografias de Lula.
Numa conversa na Casa de Francisca, que repercutiu nos últimos dias, questionou o preço da permanência no poder.
“A manutenção do poder, manter o poder, custou o poder. Custou a base.”
Brown recordou uma conversa com Eduardo Suplicy sobre a possibilidade de a esquerda abrir mão do governo.
Por incrível que pareça, concordo com a provocação de Mano Brown.
Sair do poder poderia dar ao PT o fôlego para rever escolhas e recuperar contato real com a sociedade. O poder pode conservar um partido enquanto envelhece suas ideias.
Algo semelhante, aliás, ao que aconteceu com o PSDB.
Mano Brown falava a partir da esquerda, preocupado com o destino dela.
Para quem não se lembra, em 2018, num palanque de Fernando Haddad, ele já havia cobrado a reconexão do PT com as periferias.
Anos depois, a pergunta continua aberta: manter Lula para fazer o quê? E o que vem depois?
Modelos políticos precisam ser revistos. Grupos políticos precisam ser trocados de tempos em tempos, como fraldas, pelos mesmos motivos.
A política tem ciclos. Uma resposta que funciona em determinado momento perde utilidade quando as necessidades da sociedade mudam.
O problema começa quando o governante transforma seus acertos em prova de que estará certo para sempre. Lula dá essa impressão sempre que fala.
É nesse ponto que situo o enfraquecimento de Lula.
Ele carrega…
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