Roberto Reis na Crusoé: A sorte sorriu para Lula, mas o eleitor bocejou
Eleição presidencial depende menos de um evento isolado, como o áudio, e mais de sensação acumulada por muito tempo, como o sentimento antipetista
Há um ano, o mercado financeiro começou a perceber que Lula não chegaria a 2026 competitivo, sem a condição confortável de favorito natural. É um contrassenso na política, que sempre enxerga o incumbente brasileiro como favorito.
Hoje esse mesmo mercado está preocupado, mas vamos aos fatos.
Desde então, quase tudo se mexeu de forma drástica e, muitas vezes, a favor de Lula.
A oposição errou bastante. A direita se dividiu completamente.
Nomes mais fortes, como Tarcísio de Freitas e Ratinho Jr., saíram do caminho.
O governo abriu uma verdadeira caixa de ferramentas da renda, do crédito estimulado, da comunicação e dos gestos populistas.
Ainda assim, mesmo depois do áudio de Flávio e Vorcaro, no melhor momento político para o petista, o número central, o que realmente importa, quase não saiu do lugar.
A sociedade resiste a um Lula 4, mesmo com tudo que temos visto.
A comparação da AtlasIntel entre junho de 2025 e maio de 2026 mostra um presidente preso a uma faixa bem conhecida por nós, estrategistas eleitorais. Nós chamamos isso de linha de corte.
A aprovação ficou perto de 47%. A desaprovação permaneceu majoritária, na casa dos 51%.
O saldo negativo melhorou pouco, alguns poucos décimos, dentro de uma margem que sugere mais do que estabilidade. Sugere congelamento em um lugar perigosíssimo. Qualquer piora inviabiliza Lula.
É um dado politicamente cruel, pois Lula teve um mandato inteiro em que fatores internos e externos poderiam ter produzido uma recuperação muito mais robusta.
Houve agenda de renda, anúncios sociais, crédito, comunicação, gasto público e uma oposição ocupada com as próprias fraturas.
Mesmo assim, a maioria que desaprova continuou sendo a maioria…
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