Roberto Ellery na Crusoé: O difícil ajuste fiscal
Segundo o FMI, a dívida bruta brasileira fechou 2024 em 87,3% do PIB e deve subir a 92,4% em 2025.
Esta quinzena tive a oportunidade de mediar uma mesa com o ex-ministro Pedro Malan para estudantes de economia da Universidade de Brasília, a UnB.
Em certo momento, Malan falou da importância da liderança política para o sucesso do Plano Real.
Na época, eu fazia mestrado na FGV-RJ e acompanhava com interesse os debates que envolviam os maiores economistas do país. Quase sempre aparecia a centralidade da questão política.
Nos anos 80, Edmar Bacha, no conto sobre Lisarb, o país dos contrários, registrava a relevância da liderança política para combater a inflação.
É difícil discordar: sem a liderança firme de FHC, todo o brilhantismo técnico da equipe do Real teria sido insuficiente.
O problema fiscal é menos palpável para a população do que a hiperinflação dos anos 80 e 90. No estágio atual, parece conversa de economista.
Uma forma imediata de enxergá-lo é olhar para a dívida pública.
Segundo o FMI, a dívida bruta brasileira fechou 2024 em 87,3% do PIB e deve subir a 92,4% em 2025.
Para comparação: Argentina, 85,3% e 73,1% (caindo); Chile, 42% e 43%; Colômbia, 61,2% e 59,7%; México, 58,4% e 60,7%.
Some-se a isso as altas taxas de juros do país e fica evidente o risco de conviver com uma dívida elevada e em ascensão.
A história e a teoria econômica nos ensinam dos perigos de uma trajetória fiscal fora de controle.
Atalhos como redução forçada de juros ou queima de reservas levam, sem exceção, a desfechos desastrosos.
Um crescimento robusto do PIB poderia, em tese, resolver a equação, mas de onde viria esse crescimento com a dívida ameaçando explodir e a produtividade há décadas andando de lado?
A resposta não é óbvia. O único caminho sustentável passa por ajuste fiscal.
Ocorre que, tal como o controle da inflação, o ajuste fiscal exige liderança política, e esse tipo de liderança simplesmente não está à vista.
Empresários querem incentivos, congressistas mais emendas e fundos partidários, servidores pleiteiam…
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