Retrospectiva: quando o TST tentou construir uma sala VIP contra ‘pessoas inconvenientes’
A Corte pretendia gastar mais de 1,5 milhão de reais em dois anos para finalizar e manter o espaço; a ideia foi descartada
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) tentou, ao longo de 2025, construir uma sala VIP no Aeroporto Internacional de Brasília exclusiva para seus 27 ministros.
Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a Corte, responsável por julgar recursos sobre questões trabalhistas e uniformizar a jurisprudência, pretendia gastar mais de 1,5 milhão de reais em dois anos para finalizar e manter o espaço.
Ao justificar a obra, o tribunal afirmou que “a forma como eram realizados os embarques e desembarques aéreos das autoridades propiciava a aproximação de indivíduos mal-intencionados ou inconvenientes, o que aumentava significativamente os riscos evitáveis para essas autoridades”.
O acordo é válido até abril de 2027, mas pode ser renovado.
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Regalias para os ministros do TST
Quando utilizarem a sala VIP, que está localizada no andar superior do aeroporto de Brasília, os ministros do TST teriam direito a acompanhamento pessoal por funcionários do aeroporto, ao custo de 284 reais por atendimento.
Com um mínimo de 50 atendimentos por mês, o benefício será válido também para voos pessoais, ou seja, sem finalidade profissional.
Os magistrados também teriam direito a um carro privativo, para não terem que compartilhar os ônibus de translado interno do aeroporto com os demais passageiros.
O custo é de 144 reais por deslocamento.
O exemplo de STF e STJ
À Folha, o TST disse que “o projeto segue os mesmos moldes do STF e STJ”.
Ambas as Cortes alegam manter salas exclusivas para os ministros no aeroporto de Brasília para garantir a segurança de seus integrantes.
“Tal preocupação se dá em razão da logística atual do terminal aeroportuário de Brasília, que possibilita risco à segurança dos ministros, principalmente por possível abordagem de terceiros, sendo conveniente sua minimização”, disse o TST.
O STF adotou uma sala VIP do aeroporto de Brasília em 2017, alegando que seus ministros se tornaram figuras públicas por causa dos julgamentos da Operação Lava Jato.
Como o espaço deles fica longe dos demais passageiros, eles podem acessar os aviões sem passar pelo portão de embarque.
Todas as regalias seriam bancadas com dinheiro público. Seriam, porque após a repercussão negativa, o TST recuou da construção da sala VIP.
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