Retrospectiva: quando Eduardo Bolsonaro decidiu se autoexilar nos EUA

02.04.2026

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Retrospectiva: quando Eduardo Bolsonaro decidiu se autoexilar nos EUA

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Redação O Antagonista
6 minutos de leitura 29.12.2025 20:00 comentários
Brasil

Retrospectiva: quando Eduardo Bolsonaro decidiu se autoexilar nos EUA

Com o gesto, o filho do ex-presidente da República não conseguiu a anistia, perdeu o mandato e ainda viu o seu pai ir para a prisão mais cedo

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Retrospectiva: quando Eduardo Bolsonaro decidiu se autoexilar nos EUA
Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP, foto) decidiu, em 18 de março, se licenciar da Câmara e permanecer nos Estados Unidos. Ele classificou a decisão como a “mais difícil” de sua vida.

O anúncio ocorreu por vídeo divulgado nas redes sociais. Por conta do seu autoexílio, Eduardo Bolsonaro conseguiu antecipar a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro – Alexandre de Moraes, do STF, entendeu que o filho do ex-presidente tentou obstruir a Justiça Brasileira – e perdeu o seu mandato na última semana legislativa do ano.

“Tornei-me deputado para representar o povo paulista no melhor interesse da minha nação. O que o ministro da Suprema Corte Alexandre de Moraes e os seus cúmplices estão tentando fazer é usar justamente o meu mandato como cabresto, como ferramenta de chantagem e coação do regime de exceção. Como instrumento para me prender e impedir que eu represente os melhores interesses para o meu país”, diz o deputado em vídeo gravado na rua nos Estados Unidos.

Ele seguiu no vídeo:

“Seria mais confortável ficar quieto recebendo um excelente salário e fingindo defender os paulistas e meus irmãos brasileiros do que enfrentar esse sistema covarde e desumano. Mas eu não aceitei esse chamado para ter conforto ou comodidade. Eu aceitei esse chamado para defender os valores da nossa civilização. Aceitei essa vocação como um compromisso, não só com a minha família e a minha nação, mas como uma aliança com Deus, um voto de lealdade que apenas um homem com caráter e fé pode entender.

Não irei me acovardar, não irei me submeter ao regime de exceção e os seus truques sujos. Assim sendo, da mesma forma que eu assumi o mandato parlamentar para representar a minha nação, eu abdico temporariamente dele para seguir bem representando esses milhões de irmãos de pátria que me incumbiram dessa nobre missão.

Licença

“Irei me licenciar sem remuneração para que possa me dedicar integralmente e buscar as devidas sanções aos violadores de direitos humanos. Aqui, poderei focar em buscar as justas punições que Alexandre Moraes e a sua Gestapo da Polícia Federal merecem. Vocês, homens de geleia, pequenos e vaidosos, não estão acostumados a lidar com homens de convicção”, seguiu Eduardo no vídeo, publicado no YouTube.

“Acharam que iam me chantagear com os benefícios e regalias do cargo. Não poderiam errar mais miseravelmente. Os melhores parlamentares, verdadeiramente vocacionados, não são figuras caricatas apegadas aos títulos da burocracia. Abro mão de cabeça erguida de toda essa pompa para seguir firme na minha missão de trazer justiça para todos os tiranos violadores de direitos humanos mais básicos”, disse o deputado.

Passaporte

Eduardo era cotado para assumir a Comissão de Relações Exteriores da Câmara, que lhe serviria de plataforma para seguir em sua batalha contra Moraes, o principal algoz de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em reação à articulação para Eduardo assumir a comissão, a base do governo Lula pediu a apreensão do passaporte do filho do ex-presidente. “Nós fizemos esse movimento mesmo [de pedir a apreensão do passaporte de Eduardo] para evitá-lo na CREDN. Aceitamos qualquer nome, menos o dele. O dele só se for sem passaporte”, disse o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ).

“Criar o ambiente para anistiar os reféns de 8 de janeiro”

Em seu vídeo, o filho de Bolsonaro prometeu focar 100% de seu tempo em “fazer justiça, criar o ambiente para anistiar os reféns de 8 de janeiro e demais perseguidos que fizeram parte do governo Bolsonaro, que estão pagando o preço da crueldade de um psicopata que sonha em prender Jair Bolsonaro e, imagina ele, que assim vai exterminar o maior movimento popular que a minha geração já testemunhou”.

“Nunca imaginei que eu faria uma mala de sete dias para não mais retornar para minha casa. Mas, hoje, vejo com clareza que Deus está me mostrando o caminho. Tenho certeza que o meu eleitor também entende que o meu trabalho nesse momento é muito mais importante aqui no nos Estados Unidos, do que no Brasil. Como defendia o professor Olavo de Carvalho, não se combate uma ditadura vivendo dentro dela”, disse o deputado.

Segundo ele, “todos no Brasil sabem que Alexandre de Moraes é capaz de fazer qualquer coisa, ainda que notoriamente ilegal ou inconstitucional, mesmo que exista um parecer contrário da PGR, como aliás, ele já fez no passado”.

“Falando em PGR, Moraes deu prazo para o procurador-geral de cinco dias para responder a um simples sim ou não da apreensão do meu passaporte. Porém, já se passaram mais de 18 dias e nada do senhor Paulo Gonet responder”, reclamou.

Desafio a Moraes

“Vou morar longe dos meus amigos, dos meus familiares, da minha pátria, mas não descansarei até que a justiça seja feita e a minha nação seja libertada. Se Alexandre Morais quer prender o meu passaporte ou mesmo me prender, para que eu não possa mais denunciar os seus crimes nos Estados Unidos, então é justamente aqui que eu vou ficar e trabalhar mais do que nunca”, disse Eduardo.

“Alexandre, a minha meta de vida será fazer você pagar por toda da sua crueldade com pessoas inocentes. Estarei focado integralmente nesse objetivo. Só retornarei quando você estiver devidamente punido pelos seus crimes, pelo seu abuso de autoridade”, acrescentou,.

Carreira

Em 2003, Eduardo Bolsonaro começou a carreira política registrado como ocupante de um cargo em Brasília, no gabinete da liderança do PTB de Roberto Jefferson, enquanto fazia faculdade de Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro, como revelou a BBC em 3 de outubro de 2019.

O salário era de 3.904 reais por mês, ou 13.486,65 reais mensais em valores corrigidos pela inflação. Eduardo ficou 16 meses registrado na função de assistente técnico e seu nome deixou de constar no cargo em 2004, quando surgia o Orkut, primeira rede social a fazer sucesso no Brasil. A internet ainda engatinhava, mas Eduardo já havia se especializado em compromissos à distância.

A Câmara dos Deputados ainda afirmou que os cargos de natureza especial, como aquele, “têm por finalidade a prestação de serviços de assessoramento aos órgãos da Casa, em Brasília. Desse modo, não possuem a prerrogativa de exercerem suas atividades em outra cidade além da capital federal”.

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