Retrospectiva: o dia em que Motta foi desmoralizado pela bancada bolsonarista
O presidente da Câmara conseguiu sentar em sua cadeira duas horas após o início de uma sessão tensa e com a ajuda de Arthur Lira
Em 6 de agosto deste ano, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi desmoralizado ao retomar o controle da Mesa Diretora da Casa após a invasão da bancada bolsonarista na casa.
Ele conseguiu retomar a sessão apenas às 22h20 e isso após negociação comandada pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
Os bolsonaristas ocuparam a Mesa Diretora em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e atuação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Eles também queriam pressionar Motta a avançar com o projeto de lei que concede anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
A retomada do comando da Casa ocorreu quase duas horas depois do horário que Motta havia estabelecido para início de uma sessão deliberativa presencial no plenário. O período foi marcado por discussões entre líderes e de líderes com Motta em busca de um acordo para que a obstrução física da oposição fosse encerrada de maneira pacífica.
No fim, os oposicionistas desocuparam os assentos e a Polícia Legislativa não precisou atuar.
Mesmo assim, Motta viu-se constrangido por deputados como Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Marcos Pollon (PL-RS), que impediram o presidente da Câmara de sentar na própria cadeira. Em determinado momento, Motta quase desistiu de iniciar os trabalhos na Casa.
Após retomar a Mesa, Motta iniciou a sessão e discursou. Na fala, afirmou que interesses pessoais e eleitorais não podem estar acima do povo.
“Temos uma preocupação muito grande com o momento crítico que nosso país está vivendo. A crise institucional, os debates que agora nos colocam também num possível conflito internacional. E penso que, nesta Casa, mora a construção dessas soluções, para o nosso país, que tem que estar sempre em primeiro lugar”, declarou o presidente da Câmara.
“E não deixarmos que projetos individuais, projetos pessoais ou até projetos eleitorais possam estar à frente daquilo que é maior do que todos nós, que é o nosso povo, que é a nossa população, que tanto precisa aqui das nossas decisões”.
Ele criticou diretamente a ocupação da Mesa Diretora: “O que aconteceu entre ontem e hoje, num movimento de obstrução física, não fez bem a esta Casa”. Segundo ele, a oposição tem todo o direito de se manifestar e se expressar, mas isso deve ser feito obedecendo o regimento interno e a Constituição.
“E não vamos permitir que atos como esse que aconteceram entre ontem e hoje possam ser maior que o plenário e a vontade desta Casa”.
O parlamentar ressaltou que assumiu um compromisso com as lideranças da Câmara, hoje, de continuarem dialogando “sem nenhum preconceito a qualquer pauta“. “Pautas que venham da esquerda, da direita, dos partidos de centro. Vamos continuar dialogando sobre todas essas pautas, sem flexão. Essa Mesa não negocia a condição de presidência para construir qualquer solução para o país. Temos a certeza de que o Colégio de Líderes, na sua sabedoria, irá seguir pautando esta Casa e o sentimento da maioria dela”.
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