Renan diz ter questionado Galípolo sobre crescimento do Banco Master
Declaração foi dada durante audiência da Comissão de Assuntos Econômicos
O senador Renan Calheiros (MDB), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, afirmou nesta terça-feira, 9, que questionou o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, sobre a criação e o crescimento do Banco Master até sua liquidação.
“Recentemente, o presidente do Banco Central, e eu tive a oportunidade de dizer tudo isso para ele. E de perguntar por que é que o Banco Central colaborou tanto com a criação, com o crescimento, sobretudo, do Master ao longo da sua existência até a liquidação”, disse o senador durante audiência da comissão.
Atrito
Em outra sessão, em 19 de maio, Calheiros já havia entrado em confronto com Galípolo após o parlamentar atribuir ao chefe da autoridade monetária uma declaração que ele negou ter feito.
O desentendimento expôs divergências sobre o papel público do BC no episódio que envolveu a tentativa de venda do Banco Master ao BRB, instituição financeira estatal.
O atrito teve início quando Renan Calheiros, que preside a CAE, afirmou que Galípolo teria declarado, em sessão anterior da comissão, que a operação de compra do Master pelo BRB era correta. O presidente do BC rejeitou a afirmação de forma categórica: “O Banco Central jamais diria que a operação é correta, porque o Banco Central não comenta sobre instituição particular — eu não posso fazer isso”.
O senador anunciou que apresentaria uma gravação como prova da declaração, mas o áudio não chegou a ser exibido durante a sessão. Galípolo defendeu a conduta da instituição no caso, argumentando que a decisão de barrar a venda foi a medida adequada diante da situação do banco. “No entanto, não havia o que salvar no Master. Por isso, a proibição da venda para o BRB foi correta”, afirmou.
BC não é palanque, diz Galípolo
Renan cobrou de Galípolo uma manifestação pública mais clara no momento em que lideranças do Congresso apresentaram projeto que permitiria ao Legislativo destituir o presidente e os diretores do BC — medida interpretada como ameaça à autonomia da instituição.
Para o senador, a ausência de uma resposta aberta foi “gravíssima”. “A reação pública de Vossa Excelência naquele momento era pedagógica para a autonomia do BC, e isso não foi feito”, disse Calheiros.
Galípolo discordou da avaliação e defendeu que a própria decisão técnica cumpriu o papel de sinalizar a independência do BC. “O Banco Central não tem que pegar a televisão, gravar um Instagram, um TikTok fazendo isso. O Banco Central não é palanque. O Banco Central toma a decisão correta, independente de quem está jogando pedra e fazendo barulho”, respondeu.
A sessão encerrou em clima de tensão, com o presidente do BC reclamando da dificuldade de se fazer ouvir enquanto Calheiros conduzia os trabalhos: “Eu não consigo falar. Gente, eu queria só um minuto para falar”.
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