Remoção da Favela do Moinho vira exemplo para Belém
Criticada por movimento sociais e mesmo por setores do governo federal, experiência é disseminada por meio do Ministério das Cidades
Motivo de muitas críticas de movimentos sociais, a remoção e reassentamento de famílias da Favela do Moinho, no centro da capital paulista, acabou virando referência para a Prefeitura de Belém.
O terreno é da União, mas o governo de São Paulo solicitou a cessão do espaço para fazer um parque e uma estação de trem. A remoção foi iniciada em abril de 2025 e gerou protestos de moradores.
Um ano depois, 96% das famílias já receberam novas moradias, informa o governo de São Paulo.
A experiência levou a uma reunião (foto) na semana passada entre a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado de São Paulo (SDUH) e a Prefeitura de Belém, mediada pelo Ministério das Cidades, a pedido do ministro Jader Filho.
A tecnologia social empregada envolveu diálogo com lideranças locais para possibilitar o cadastramento dos moradores, para o “congelamento” da área — o objetivo era impedir que pessoas que não moravam ali se aproveitassem para tentar conseguir uma nova moradia no reassentamento.
Crime organizado
“Posteriormente, foi instalado um escritório próximo à comunidade para atender exclusivamente os moradores do Moinho. A localização era perto o suficiente para acessar os serviços, mas com uma distância que permitisse o atendimento longe do domínio do crime organizado, que havia se instalado na favela, transformando as famílias em reféns de suas determinações”, informou a SDHU em nota com detalhes sobre a reunião.
Esse trabalho resultou na adesão prévia de 90% dos famílias que moravam no local.
“O ponto fundamental foi o cadastramento. Conhecer a área, as pessoas e ter um embasamento sólido que inviabilize questionamentos posteriores sobre o trabalho. A parceria com o ministro Jader e equipe do Ministério das Cidades foi importante, mostrando como o alinhamento entre setores técnicos resulta no sucesso de políticas públicas. E isso ocorreu mesmo com toda uma atuação política de setores do Governo Federal contrários à desmobilização da favela, atuando para retardar esse processo”, destacou o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco.
Apenas 25 famílias permanecem no local, aguardando atendimento da Caixa Econômica Federal.
“Nosso principal objetivo é aprender com o que foi feito aí na Favela do Moinho. O que temos em Belém, na Vila da Barca, é um projeto importante do Ministério das Cidades, importante para Belém e para o Estado do Pará como um todo, e nossa expectativa é que nós e a Prefeitura consigamos aprender o modelo que vocês aplicaram aí, principalmente na desocupação do território, para que a gente consiga ter mais sucesso na experiência de Belém”, disse a chefe de gabinete do Ministério das Cidades, Lucile Licari, na reunião.
“Foi muito importante para que a gente pudesse entender todo o projeto que foi feito na favela do Moinho e poder ver o nível de dedicação, de modernidade e de tecnicidade com que foi tratada essa operação. Eu levo daqui muitos insights, com certeza a gente vai poder montar um programa muito mais assertivo. Foram várias técnicas aplicadas que a gente precisa levar para o nosso território”, elogiou o secretário de Habitação substituto da Prefeitura de Belém, Lucas Lazera.
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