Um ano depois, 96% das famílias da Favela do Moinho têm nova moradia
Área que abrigava a última favela do centro de São Paulo caminha para desocupação total; terreno receberá parque e nova estação de trem
Mais de 800 famílias que viviam na Favela do Moinho, no centro de São Paulo, já ocupam novas moradias um ano após o início das remoções conduzidas pelo governo do Estado. O reassentamento atingiu 96% neste mês de abril, com menos de 40 domicílios ainda pendentes — a maioria à espera de indenizações operadas pela Caixa Econômica Federal, referentes a obrigações do governo federal.
Processo iniciado em abril de 2025
As mudanças tiveram início em 22 de abril de 2025. Em pouco mais de duas semanas, mais de 100 famílias já haviam deixado a comunidade. Dois meses depois, o número ultrapassava 440 núcleos familiares atendidos.
A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) abriu um escritório de atendimento na Rua Barão de Limeira, próximo à favela, em janeiro de 2025 — antes mesmo do começo das remoções. O espaço acumulou mais de 3 mil atendimentos na fase preparatória e chegou a 10 mil ao longo do primeiro ano, média de 12 por família. O cadastramento dos moradores havia sido concluído entre outubro e novembro de 2024.
No total, foram realizadas 920 mudanças. A prefeitura de São Paulo pagou 72 indenizações a comerciantes afetados pelo processo; destes, 22 residiam no local e também receberam atendimento habitacional.
Moradia gratuita para famílias de baixa renda
Para viabilizar o reassentamento, a CDHU mapeou cerca de 1,5 mil unidades habitacionais disponíveis no mercado antes do início das remoções — mais de mil delas localizadas na região central, para atender quem preferia permanecer próximo à área original.
Famílias com renda mensal de até R$ 4,7 mil receberam os imóveis sem custo, em parceria firmada entre o Governo de São Paulo e o Ministério das Cidades. Quem optou por unidades ainda em construção recebeu caução de R$ 2,4 mil e auxílio-moradia mensal de R$ 1,2 mil até a entrega das chaves. O programa também permitiu a escolha de imóveis em qualquer município do estado, respeitando o limite de R$ 250 mil por unidade.
“Fizemos mais de 3 mil entrevistas com os moradores antes mesmo de iniciar as mudanças […] as famílias escolheram onde e de que forma queriam morar”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco.
Demolições e futuro da área
À medida que os imóveis foram sendo desocupados, a CDHU adotou medidas para impedir reocupações. Inicialmente as construções foram emparedadas; depois, tiveram telhados, portas e janelas removidos. Com o avanço das mudanças, passou a ser possível realizar demolições sem risco às estruturas vizinhas. Até abril de 2026, 738 edificações já haviam sido derrubadas.
O terreno, encravado entre duas linhas de trens da CPTM com acesso por uma única via, será destinado a uso público. O projeto prevê a construção de um parque urbano e de uma nova estação ferroviária, em ação coordenada entre o governo estadual e a Prefeitura de São Paulo.
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