Relator para lobista: “Se Brasil tivesse pena de morte, você seria candidato”
O lobista e empresário Antônio Carlos Camilo Antunes disse que não é, não foi e nunca será "esse Careca do INSS que estão falando"
O lobista e empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS“, não respondeu a nenhuma das perguntas feitas pelo relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), durante a oitiva desta quinta-feira, 25. O senador quis saber, entre vários outros pontos, qual a ligação dele com o PCC, quais parlamentares permitiram que ele indicasse pessoas no Instituto, quantas vezes esteve com o advogado Nelson Wilians e se tem algum vínculo com o ex-ministro da Previdência Social Carlos Lupi.
Após encerrar os questionamentos, Gaspar disse que se existisse pena de morte no Brasil, Antônio Antunes seria “um sério candidato” a ser condenado a ela.
“Eu passei a minha vida toda ouvindo depoimento de autores de crimes graves. Passei a minha vida toda como promotor, conhecendo o crime de perto. Mas se o Brasil tivesse uma pena perpétua ou uma pena de morte, o senhor seria um sério candidato a ser indicado. O que o senhor fez com milhões de aposentados, o que o senhor levou de desespero, fome, a milhões de pessoas, não tem perdão”, declarou o parlamentar.
“O senhor hoje aqui vem blindado pela impunidade. O senhor vem blindado pelos seus padrinho políticos. O senhor vem blindado porque o Brasil se acostumou com a corrupção ser coisa normal e elogiada. Mas a Justiça vai chegar para o senhor. Esta CPMI irá lembrar o seu nome por esses seis meses. Porque se o senhor quer matar no peito esse roubo gigantesco, o senhor vai conseguir”.
Gaspar prosseguiu: “Toda a investigação está direcionada para a sua atuação. Eu só vou finalizar dizendo que não foi justo com o povo brasileiro vocês meterem a mão em 499 milhões de reais da Ambec, que pertence ao povo mais sofrido. Na Unaspub, vocês meteram a mão em 267 milhões de reais. Na CBPA, a ganância de vocês retirou do povo brasileiro mais sofrido 221 milhões”.
O relator citou outras quantias que teriam sido desviadas. Em outro momento da oitiva, afirmou que, para alguns, o lobista “vale muito mais morto do que vivo”.
“Hoje o senhor está arrogante e prepotente, mas em breve o senhor enfrentará o sistema prisional. E no sistema prisional teremos lá milhares de presos que tiveram mães, avós, tio e pais roubados. O senhor hoje é um arquivo vivo que vale para alguns muito mais morto do que vivo. Se engana pensando que o senhor está protegido. Aqui o senhor pode pensar que somos inimigos. Talvez aqui seja a única fronteira que o senhor vai alcançar a sua proteção e a proteção da sua família”, falou Gaspar.
Depoente se defendeu
Apesar de não ter respondido às perguntas do relator, o depoente falou quando questionado por outros senadores, como Izalci Lucas (PL-DF).
Ele negou que tenha feito uma parceria com o empresário Maurício Camisotti para montar a Federação Nacional de Aposentados e Pensionistas e se apresentou como “cidadão de bem”.
“Muitas das quais [associações] eu nem conheço, não sei quem são. Não conheço determinadas pessoas que foram citadas aqui. Presidentes, ex-presidentes, ministros, Não os conheço. Não conheço empresários citados aqui. Eu acho que devemos ter um respeito muito grande quanto à PF sobre o vazamento de informações de operações. Eu acho que isso é muito delicado”, falou Antônio Antunes.
“Até porque, enquanto cidadão de bem e um cara que trabalha há 47 anos, eu digo ao senhor: se eu tivesse qualquer intenção fora do meu caráter que fosse em sonegar, em mentir, por que estaria aqui, com habeas corpus me garantindo o direito de não estar aqui, de não falar a verdade?”.
Disse ainda que nunca controlou ninguém nem alguma associação e que faça parte do estatuto de alguma. “Não tenho relação perniciosa com ninguém. Não faço parte de estatuto, não delibero em assembleias geral, ordinárias ou extraordinárias de quem quer que seja. A minha aproximação com esse mercado se deu de uma luta desde 2017, o qual representava comercialmente um aplicativo para instituições que tivessem no seu corpo vários associados. Ganhando unidades de real por vida, por utilização de um aplicativo”.
Segundo o depoente, é “muito fantasioso” dizer que ele tem operações em paraísos fiscais. “É correto dizer que eu tenho uma empresa nos EUA, na Colômbia e em Portugal. Como disse e repito: sou empresário, da vida privada, próspero. Próspero na minha ótica, com muito trabalho, com muita dignidade no que eu faço. Se eu não tivesse o caráter da verdade, eu não estaria aqui”.
“Não sou, nunca fui e nunca serei, jamais, esse Careca do INSS que estão falando“, afirmou.
Ele admitiu que doou 1 real para a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas disse que o episódio foi distorcido: “Atribuíram a mim uma verdade. Eu doei 1 real à campanha do presidente Bolsonaro. Isso é fato, doei. Transformaram esse 1 real e 1 milhão. Transformaram depois que eu estava andando na garupa da moto dele. Transformaram depois que eu tinha indicado ministro A, B, C, D. Que homem é esse que tem tanta penetração no governo? Eu não tenho empresa nenhuma com relação governamental em qualquer que seja a esfera”.
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