Randolfe se reúne com diplomata dos EUA e critica atuação de Eduardo Bolsonaro
Líder do governo no Congresso disse a Gabriel Escobar que posição do deputado do PL não reflete a do Parlamento brasileiro
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), se reuniu nesta quarta-feira, 16, com o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar. Segundo o parlamentar, no encontro, disse ao diplomata que a posição do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos EUA não reflete a posição do Congresso Nacional.
“Disse mais: que a posição desse deputado nos Estados Unidos não só não comunga com a posição do Parlamento brasileiro, como também é um crime contra as instituições brasileiras. O deputado que está atuando nos EUA fere a Constituição do país, está no uso ilegal de suas atribuições e fere a lei penal“, falou Randolfe, em entrevista a jornalistas.
Segundo o senador, Escobar citou no encontro que há um deputado brasileiro atuando no território americano. O diplomata pediu a Randolfe um encontro com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O líder do governo vai buscar a organização da reunião.
“Me parece que a vinda do diplomata aqui foi claramente para consultar o Parlamento brasileiro sobre a atuação desse deputado”, pontuou Randolfe, em referência a Eduardo.
O senador informou ao Itamaraty previamente que se reuniria com Escobar e foi orientado sobre como agir na reunião. Dessa forma, afirmou ao diplomata que o Brasil está à disposição para dialogar com os Estados Unidos nos termos da relação comercial ente os dois país, que o Brasil repudia qualquer interferência em assuntos internos e que a nação sul-americana vive sob uma democracia, com pleno funcionamento das instituições.
“Eu recomendei que ele procurasse o Itamaraty, que o canal oficial de diálogo do governo brasileiro é conduzido por determinação do presidente da República, com o vice-presidente Geraldo Alckmin e o nosso Itamaraty”, explicou Randolfe.
Ainda no encontro com o diplomata, o senador citou a nota conjunta de Motta e Alcolumbre segundo a qual a decisão dos Estados Unidos de impor tarifas extras de 50% sobre os produtos brasileiros “deve ser respondida com diálogo nos campos diplomático e comercial“.
Reação ao tarifaço
Os presidentes do Senado e da Câmara colocaram nesta quarta-feira, 16, o Congresso à disposição do governo federal para reagir ao “tarifaço” de 50% do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil.
Após se reunir com o vice-presidente da República, o ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, e a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, Alcolumbre disse, em vídeo enviado à imprensa, que o Poder Legislativo está comprometido em defender a soberania nacional, os empregos e os empresários.
“Vejo nesse momento de agressão ao Brasil e aos brasileiros, isso não é correto. E temos que ter firmeza, resiliência, e tratar com serenidade essa reação. Buscar estreitar os laços e fazer as coisas acontecerem em defesa dos brasileiros”, afirmou.
Motta, por sua vez, disse que a Câmara está pronta para aprovar as ações necessárias e fazer a “retaguarda do Poder Executivo”.
“Não tenho a menor dúvida de que hoje a nossa população entende que o Brasil não pode ser levado a situações em que decisões externas venham a interferir na nossa soberania. Brasil hoje tem uma importância muito grande no cenário mundial e nós não temos a menor dúvida que com união, compromisso e muita responsabilidade nós iremos superar esse momento”, afirmou.
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