PT aciona BC para investigar suspeita de lucro com tarifaço de Trump
No sábado, a AGU confirmou que pediu ao STF investigação sobre suposto uso de informações sigilosas por investidores
O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), protocolou um pedido formal ao Banco Central para identificar quem operou transações de câmbio de R$ 500 mil ou mais horas antes do anúncio oficial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a aplicação de tarifas de 50% a produtos brasileiros, em 9 de julho.
Segundo o parlamentar, houve uma “movimentação incomum” no mercado cambial, o que indicaria possível uso de informação privilegiada. A petição menciona a gestora internacional Tolou Capital Management, que teria registrado lucros de até 50% em poucas horas.
O documento solicita que o Banco Central identifique os operadores, detalhe valores, horários, instituições intermediárias e beneficiários finais, e envie os dados à CVM, ao COAF, à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal.
Lindbergh sugere que o episódio possa ter relação com o inquérito que investiga o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por suposta obstrução de Justiça e tentativa de abalar o Estado Democrático de Direito.
A petição ainda cita manifestação da Advocacia-Geral da União (AGU), enviada ao STF, segundo a qual as tarifas dos EUA fariam parte de uma “estratégia de chantagem geopolítica” contra ministros da Corte, em articulação com membros da cúpula política nacional.
Lindbergh classifica o caso como parte de uma possível “guerra híbrida”, envolvendo instabilidade institucional e conluio com interesses estrangeiros.
AGU pede apuração de operação suspeita
No sábado, como mostramos, a AGU confirmou que pediu ao STF investigação sobre o suposto uso de informações sigilosas por investidores, com base em reportagens da TV Globo.
Segundo o Jornal Nacional, houve transações de até US$ 4 bilhões em compra de dólares antes do anúncio da tarifa, seguidas de grandes vendas logo após a divulgação oficial da medida.
De acordo com a AGU, o movimento “sugere possível utilização de informações privilegiadas (insider trading) por pessoas físicas ou jurídicas, supostamente com acesso prévio e indevido a decisões ou dados econômicos de alto impacto”.
O pedido foi inserido no inquérito que já investiga Eduardo Bolsonaro, com base na suspeita de uso de medidas comerciais internacionais como forma de coação premeditada contra o Judiciário. Para a AGU, os fatos podem representar não só crimes contra a Justiça, mas também ganhos financeiros ilícitos.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também foi instada a agir com prioridade e, se necessário, articular medidas com outras autoridades.
Desde o anúncio de Trump, em 9 de julho, o dólar já acumula alta de 2,6%. O presidente americano vinculou a decisão à situação judicial de Jair Bolsonaro:
“Eu acho que isso é uma caça às bruxas, e acho que é muito lamentável, e ninguém está feliz com o que o Brasil está fazendo, porque Bolsonaro foi um presidente respeitado”, afirmou Trump ao anunciar a tarifa.
Na última quinta-feira, 17, em pronunciamento em rede nacional, o presidente Lula (PT) classificou a sobretaxa como “chantagem inaceitável”.
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Comentários (2)
Pedro Boer
20.07.2025 19:23Eu vejo só inveja do Lindbergh. Ah! se ele soubesse...
Alexandre Ataliba Do Couto Resende
20.07.2025 17:27Lindinho está tocando gasolina na fogueira...