Projeto antifacção é “aspirina para quem está com câncer”, diz Bilynskyj
Presidente da Comissão de Segurança Pública critica proposta do governo e defende avanço de marco legal contra crime organizado
O presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, da Câmara, Paulo Bilynskyj (PL-SP), criticou nesta quarta-feira, 29, em entrevista a O Antagonista, o chamado “projeto de lei antifacção” que o governo federal pretende enviar ao Congresso. Segundo o parlamentar, trata-se de um “texto fraco“.
Elaborado pelo Ministério da Justiça, ele está sendo analisado pela Casa Civil e depende ainda do aval do presidente Lula (PT) para ser protocolado. No momento, a proposta cria o tipo penal de “organização criminosa qualificada”, para endurecer as penas e ampliar o poder de atuação do Estado contra facções.
Ela prevê o aumento das penas para quem integra, promove ou financia organização criminosa, dos atuais 3 a 8 anos de prisão para 5 a 10 anos. No caso de homicídios cometidos a mando de facções, a pena pode chegar a 30 anos de prisão e sem pagamento de fiança.
“Tecnicamente, é um texto que é mais processual do que penal. Então, ele traz ferramentas, mas ele não altera a forma de punição. E, principalmente, qual é a leitura política que a gente está fazendo? Ele é uma tentativa do governo de marcar um ponto na segurança pública, mas ele não oferece uma solução ampla e real. Ele oferece uma aspirina para quem está com câncer“, afirmou Bilynskyj.
O parlamentar diz considerar, porém, que a chamada PEC da Segurança Pública, também de autoria do governo e que está sendo analisada por uma comissão especial da Câmara, é “pior” do que o projeto.
“A PEC da Segurança é pior, porque a PEC da Segurança não traz itens que promovem segurança pública. Ela concentra poder legislativo e administrativo na mão da União”.
Bilynskyj defende que, como alternativa à PEC e ao projeto, o Congresso avance com um projeto de lei, cujo primeiro signatário é o deputado Julio Lopes (PP-RJ), que cria um marco legal de combate ao crime organizado.
“Esse texto é muito bom, é o PL 2646/2025. O que ele fala? Ele traz uma solução completa, não só processual, mas também penal, ele traz a alteração de 11 leis diferentes, com 21 tópicos para o combate ao crime organizado. Aí, sim, você tem uma resposta à altura. O que o governo está tentando fazer é uma lacrada, é vender uma fumaça, para aparecer na mídia”.
Bilynskyj é o relator da proposta na Comissão de Segurança Pública e já apresentou parecer pela aprovação na forma de um substitutivo. Na terça-feira, 28, parlamentares da oposição apresentaram um requerimento de urgência para o projeto. Se o pedido for aprovado pela Câmara, o texto poderá ser votado diretamente no plenário.
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Comentários (1)
Andre Luis Dos Santos
29.10.2025 19:10"Lacrar" e "vender fumaça" é só o que o Lula e o PT sabem fazer. Fizeram isso de 2003 a 2016, e agora estão fazendo de novo. NUNCA fizeram NENHUMA reforma relevante em NENHUMA area. A unica coisa que fizeram, e ai quebraram todos os recordes, foi ROUBAR o $ do pagador de impostos.