“Progredimos, ainda que modestamente”, diz Marina no encerramento da COP30
Sessão plenária do evento realizado em Belém aprovou carta final que não menciona de forma explícita combustíveis fósseis
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, disse neste sábado, 22, que os resultados da 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) representam um progresso na discussão climática, mas modesto. Marina discursou na plenária de encerramento da COP30, em Belém, no Pará.
“Realizamos esta COP no coração da Amazônia. Demos um passo relevante no reconhecimento do papel de povos indígenas, comunidades tradicionais e afrodescendentes. Transição justa ganhou corpo e voz na presença desses segmentos. Lançamos o TFFF, um mecanismo inovador que valoriza aqueles que conservam e mantêm as florestas tropicais”, pontuou.
“O texto do Mutirão Global abriu uma porta importante para o avanço da adaptação, com o compromisso dos países desenvolvidos de triplicarem o financiamento até 2035“.
Ela prosseguiu: “Esse esforço incluiu, também, instrumentos para endereçarmos a lacuna de ambição das NDCs [Contribuições Nacionalmente Determinadas], como o Acelerador Global de Implementação, reforçou o alinhamento das NDCs com políticas de desenvolvimento e investimento e reconheceu a necessidade de reformular o financiamento internacional para mitigação”.
Segundo a ministra, “cento e vinte e duas Partes apresentaram suas Contribuições Nacionalmente Determinadas, com compromissos em reduzir emissões até 2035”. “Faltam outras Partes, mas esses resultados são ganhos fundamentais para o multilateralismo climático. Serão necessários muito mais esforços para honrarmos a missão 1.5 que assumimos na COP28 em Dubai”.
Ainda de acordo com ela, nos instrumentos globais para adaptação, também houve progresso. “Embora haja desafios, pela primeira vez temos um rol de indicadores globais de adaptação que certamente precisam ser aperfeiçoados e ampliados”.
Na sequência, ela ressaltou: “Enfim, progredimos, ainda que modestamente“. Ao final do discurso, Marina disse que talvez o Brasil não tenha recebido os participantes da COP30 “como merecem”, mas recebeu da forma como achou que é seu “gesto de amor à humanidade e ao equilíbrio do planeta”. O evento foi marcado por problemas de infraestrutura.
A carta final
A sessão plenária da COP30 aprovou neste sábado. por unanimidade, a carta final do evento, denominada “Mutirão Global“. Os cerca de 200 países participantes da COP30 chegaram a um acordo depois de duas semanas de negociações.
O texto aprovado não menciona de forma explícita combustíveis fósseis, como o petróleo, e não traz um roteiro sobre fósseis e desmatamento, que havia sido defendido pelo presidente Lula (PT) e mais de 80 países.
Por outro lado, traz novas oportunidades para discussão sobre a redução das emissões de gases de efeito estufa, propõe triplicar o financiamento para adaptação para 120 bilhões de dólares até 2035 e inclui novos processos para acelerar a transição energética, como o Acelerador Global de Implementação e a Missão Belém para 1,5.
Lula elogiou o acordo alcançado. “Na COP da Verdade, a ciência prevaleceu. O multilateralismo venceu”, pontuou o petista, na cúpula do G20 em Joanesburgo, na África do Sul. Ainda de acordo com Lula, no ano em que o planeta ultrapassou pela primeira vez o limite de 1,5 graus acima dos níveis pré-industriais, “a comunidade internacional enfrentou uma escolha: continuar ou se render”. “Escolhemos a primeira opção”.
A presidência brasileira do evento anunciou neste sábado ainda que tem a intenção de lançar um futuro “roteiro” para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis e um segundo roteiro contra o desmatamento, para os países participantes. “Sabemos que alguns de vocês tinham ambições maiores; eu sei que a sociedade civil exigirá que façamos mais para combater as mudanças climáticas. Quero reiterar que tentarei não decepcioná-los durante minha presidência”, disse o diplomata André Correa do Lago.
“Criarei dois roteiros: um para deter e reverter o desmatamento e outro para a transição de forma justa e ordenada. Eles serão baseados na ciência e inclusivos, no espírito da mudança”, pontuou.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (4)
Marcia Elizabeth Brunetti
23.11.2025 10:02Marina está divagando para as paredes, só pode . Todo mundo saiu frustrado. Sem contar que as grandes lideranças sequer apareceram. A quanditade de paises participantes foi baixíssima. Mas nós pagamos por esta festa.
Ita
23.11.2025 09:53Essa COP tornou a crise ambiental pior devido a queima de combustível dos aviões para trazer tanta gente para se reunir e no final não dar em nada. Um vexame para o Brasil - de Lula e seus esquerdopatas.
Fabio B
23.11.2025 07:43Não tem como imaginar um fracasso maior do que foi esse mico internacional. Escolheram a Bangladesh brasileira, a capitar mais favelizada de um país favelizado, sem estrutura e dominada por uma máfia de ladrões que desviam cada centavo que é mandado do restante do país para sustentar essa região. E o evento supostamente ecológico funcionou ainda à base de geradores a diesel que enchiam o ambiente de fumaça, enfrentou incêndio na área oficial, alagamentos, falta de energia, internet, comida e expôs a total falta de preparo do Brasil para o mundo. E o pior é que esse evento foi feito ainda para agradar ONGs internacionais que operam aqui e empurram agendas que batem de frente com o agro e interesses nacionais de desenvolvimento sério na Amazônia. Enquanto isso, o governo não consegue conter desmatamento ilegal nem queimadas recordes a cada mês, e ninguém nesse evento deu um pio sobre isso. Ficamos com a conta, o vexame e a impunidade.
Fabio B
23.11.2025 07:23Essa tartaruga é muito cínica.