Professores da USP criticam PM e apoiam grevistas
Manifesto reúne mais de 70 assinaturas e exige retomada do diálogo após intervenção policial no campus
Professores de diversas faculdades da USP (Universidade de São Paulo) divulgaram uma carta aberta em apoio à paralisação estudantil que se estende desde 14 de abril e com críticas à entrada da Polícia Militar no campus. O texto pede que a reitoria retome conversas com os alunos sobre condições de permanência na universidade.
O documento reúne mais de 70 signatários, entre eles nomes de projeção nacional nas áreas de filosofia, economia, ciências políticas e direito.
Nomes de peso no manifesto
Entre os professores que assinam o texto estão o filósofo Vladimir Safatle, o psicanalista Christian Dunker e a economista Leda Paulani, além do cientista político André Singer, ex-porta-voz do governo Lula, da urbanista Ermínia Maricato e do especialista em direito do trabalho Jorge Souto Maior.
A carta conta ainda com nomes da Unicamp, UFMG, UFF, UFRGS, UnB e UFP, e de dirigentes do Andes-SN, sindicato nacional dos professores universitários. A USP possui cerca de 5.000 docentes no total.
Segundo o manifesto, a paralisação reflete um problema estrutural: “No último período, presenciaram-se consequências da precarização, como auxílios estudantis insuficientes, restaurantes universitários servindo refeições impróprias e moradias estudantis em péssimas condições”.
Disputas e tensão no campus
O centro do conflito é o valor do Papfe (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil). O benefício integral pago atualmente é de R$ 885 mensais. Os estudantes reivindicam a elevação ao patamar do salário mínimo paulista, de R$ 1.804. A reitoria propôs reajuste pelo IPC-Fipe, que levaria o auxílio a R$ 912 — proposta recusada pelo movimento. Houve também denúncias de alimentos impróprios servidos no restaurante da Faculdade de Direito.
O ponto de maior confronto ocorreu na madrugada de 10 de maio, quando aproximadamente 50 policiais da Tropa de Choque desocuparam o prédio da reitoria, ocupado pelos estudantes desde o dia 7.
De acordo com informações da Folha, foram utilizados bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes. Cinco alunos foram encaminhados a hospitais e quatro pessoas prestaram esclarecimentos em delegacia antes de serem liberadas.
A reitoria declarou não ter sido comunicada da operação com antecedência. O Diretório Central dos Estudantes questionou a legalidade da ação, por ausência de ordem judicial de reintegração de posse. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) defendeu a conduta da corporação.
No manifesto, os docentes classificam a presença policial como “uma ameaça à autonomia universitária” e pedem que nenhum estudante seja penalizado por participar da greve. “Para superar a crise instaurada contra a autonomia universitária e contra a democracia na nossa universidade, é necessário que a USP tome a decisão de escutar e atender às demandas objetivas colocadas pelos estudantes e reconheça a legitimidade de lutar por elas”, conclui o texto.
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