Universidade “não pode ser espaço de baderna”, diz Tarcísio
Governador afirma que policiais agiram dentro da legalidade na USP; operação deixou cinco estudantes hospitalizados
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu a operação policial que desalojou estudantes da reitoria da USP (Universidade de São Paulo): “A polícia agiu como tinha que agir”, declarou.
“A universidade é um espaço aberto, público, de debate. É um espaço de conhecimento, pesquisa, extensão, mas não pode ser um espaço de baderna, depredação e destruição do patrimônio público”, afirmou o governador, que classificou a conduta da corporação como dentro “dos limites da legalidade”.
A operação
Na madrugada de domingo, 10, cerca de 50 policiais militares retiraram 150 estudantes que ocupavam o saguão do prédio administrativo da USP. A ação durou aproximadamente 15 minutos, com início às 4h15, e resultou em cinco hospitalizações e quatro detenções.
Segundo os alunos, foram utilizados gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e cassetetes. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram estudantes sendo atingidos ao deixar o local.
Repúdio interno e posição do reitor
A USP declarou não ter sido informada sobre a operação, planejada desde sexta-feira, 8, e repudiou o ocorrido. Faculdades como a de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, a de Direito, o Instituto de Psicologia e a Escola de Comunicação e Artes emitiram notas criticando a ausência de negociação antes da intervenção.
O reitor Aluisio Segurado, por sua vez, declarou ter atingido o limite orçamentário na proposta de reajuste e anunciou que não retomará conversas com os estudantes após a ocupação.
Contexto da greve
Os alunos estão em greve desde o dia 14 de abril, reivindicando melhorias no restaurante universitário e reajuste do auxílio permanência, atualmente fixado em R$ 885 mensais. Os estudantes pedem R$ 1.804; a universidade propõe R$ 912. Na tarde de segunda-feira, um protesto no centro de São Paulo terminou em confronto.
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