Presidente do Conselho de Ética classifica suspensão de mandato como ‘puxão de orelha’
O relator de processo do caso Gilvan da Federal deve ser definido até sexta; Fabio Schiochet promete celeridade em representações
O novo presidente do Conselho de Ética da Câmara, Fabio Schiochet (União-SC), afirmou a O Antagonista que pretende escolher até a próxima sexta-feira o relator da representação impetrada pela Mesa Diretora da Casa para investigar a conduta do deputado federal Gilvan da Federal (PL-ES).
Gilvan da Federal foi suspenso, cautelarmente, por três meses por proferir manifestações “gravemente ofensivas e difamatórias contra deputada licenciada para ocupar cargo de Ministra de Estado [Gleisi Hoffman], em evidente abuso das prerrogativas parlamentares”.
A medida cautelar vence na primeira semana de agosto.
“O que temos aqui é o caso do Gilvan da Federal, que analisamos ainda durante o mandato do colega Leur Lomanto [Júnior, do União-BA], suspendendo a cautelar. Agora vamos de fato analisar o mérito”, disse Schiochet a este portal.
“Eu acredito que a gente tem que voltar a ter respeito, tanto na esquerda, quanto na direita, aqui na Câmara. Essa inovação, a suspensão [do mandato], [serve como] um puxão de orelha no deputado. É importante para que o parlamentar veja a importância dele no parlamento”, declarou Schiochet.
Na primeira semana de maio, o Conselho de Ética da Câmara aprovou, por 15 votos a 4, o parecer do deputado Ricardo Maia (MDB-BA) favorável à suspensão do mandato de Gilvan. Na análise de representação da Mesa Diretora da Casa contra o congressista, o relator votou pela suspensão cautelar do mandato por três meses, por procedimento incompatível com o decoro parlamentar.
Novo presidente do Conselho de Ética promete ser firme contra colegas
A Mesa Diretora havia pedido que fosse suspenso por seis meses. Numa primeira versão do seu parecer, Ricardo Maia concordou com a punição. Porém, na última versão, reduziu o período para três meses.
Nesta terça-feira, o Conselho de Ética elegerá o primeiro e segundo vice-presidentes do colegiado. Depois disso, será escolhido o relator do caso envolvendo Gilvan.
“Cada vez os ânimos vão se acirrar cada vez mais, mas vamos ter mais sabedoria para que, de fato, a gente mantenha o respeito nesta casa”, disse o presidente do Conselho de Ética.
“Não estou falando aqui em servir como exemplo de maneira nenhuma [o caso envolvendo Gilvan da Federal]. Não iremos engavetar os casos daqui. Vamos dar celeridade para que de fato a gente traga, cada vez mais, uma responsabilidade para a Câmara dos Deputados”, declarou o parlamentar.
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