Postura de Flávio Bolsonaro é de “traidor”, diz líder do governo
Jaques Wagner (PL-BA) acusa senador pré-candidato a presidente de ter pedido ao presidente dos EUA para "castigar" o Brasil
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), acusou nesta sexta-feira, 5, o senador e pré-candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de ter pedido ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para “castigar” o Brasil. O petista comentou a proposta do Escritório do Representante Comercial dos EUA de que seja implementada uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras, que foi feita dias após Flávio se encontrar com Trump.
“Sobre o tarifaço, reforço dois comentários: o primeiro é que a balança comercial entre Brasil e EUA é deficitária para o Brasil, a gente compra mais do que vende para eles. Por isso, o tarifaço é irracional. Segundo e ainda mais triste: um candidato a presidente da República foi aos EUA bater continência para a bandeira americana e ainda pediu ao presidente para castigar o seu próprio país. Esse tipo de postura é de traidor. Como que uma pessoa como essa quer dirigir o Brasil?“, escreveu Jaques Wagner, no X.
Na última terça-feira, 2, Flávio disse que pediu pessoalmente a Trump para não impor tarifas ao Brasil. Além disso, enviou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reforçando o pedido.
“A imposição de novas tarifas causaria sérios prejuízos ao povo brasileiro – os mesmos cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo. Escrevo, portanto, para reiterar, formalmente, o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil. Como já disse, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil em outubro”, diz Flávio, na mensagem
A proposta dos EUA
A proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos é respaldada pela seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O órgão sugeriu a tarifa de 25% após concluir que uma série de atos, políticas e práticas do governo brasileiro são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio americano.
Os atos e políticas considerados prejudiciais aos EUA estão relacionados ao “comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas injustas e preferenciais; aplicação anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal”.
“Iniciei esta investigação ao abrigo da Secção 301 a pedido do Presidente Trump para abordar preocupações antigas e generalizadas dos EUA relativamente a certas políticas e práticas comerciais do Brasil. Ao longo do último ano, o Presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas”, afirmou o embaixador Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA, em comunicado.
“Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação. Aguardo com expectativa a continuação do diálogo com o Governo brasileiro, antes do prazo legal de 15 de julho de 2026 para a tomada de medidas corretivas”, acrescentou.
“Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais breve possível, um amplo acordo comercial e de investimentos benéfico para ambas as nações – um acordo construído sobre mercados livres, respeito mútuo e a aliança estratégica que nossos dois povos merecem. Permaneço à sua inteira disposição e aguardo com expectativa o aprofundamento da amizade entre o Brasil e os EUA“, acrescenta.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)