Em carta a Rubio, Flávio pede para EUA não impor tarifas ao Brasil
Senador manifesta preocupação com a proposta de imposição de tarifa de 25% sobre a importação de produtos brasileiros
O senador e pré-candidato a presidente da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enviou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, nesta terça-feira, 2, pedindo que o país não imponha tarifas aos produtos importados do Brasil.
“A imposição de novas tarifas causaria sérios prejuízos ao povo brasileiro – os mesmos cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo. Escrevo, portanto, para reiterar, formalmente, o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil. Como já disse, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil em outubro”, diz Flávio, na mensagem.
“Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais breve possível, um amplo acordo comercial e de investimentos benéfico para ambas as nações – um acordo construído sobre mercados livres, respeito mútuo e a aliança estratégica que nossos dois povos merecem. Permaneço à sua inteira disposição e aguardo com expectativa o aprofundamento da amizade entre o Brasil e os EUA“, acrescenta.
Flávio diz na carta ser grato pela decisão dos EUA de classificar o PCC e o CV como grupos terroristas, mas manifesta preocupação com a proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de se aplicar uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras.
Ele afirma que o Brasil “atravessa uma grave deterioração fiscal e econômica”. “Nossa dívida bruta
do governo geral ultrapassou 80% do PIB pela primeira vez desde o início da pandemia,
atingindo 10,4 trilhões de reais em abril — e as projeções de mercado apontam para um recorde de 83,7% até o final do ano”.
A proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos é respaldada pela seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O órgão sugeriu a tarifa de 25% após concluir que uma série de atos, políticas e práticas do governo brasileiro são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio americano.
Os atos e políticas considerados prejudiciais aos EUA estão relacionados ao “comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas injustas e preferenciais; aplicação anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal”.
O governo federal brasileiro também reagiu nesta terça à proposta do Escritório do Representante Comercial dos EUA. Em nota, o Executivo manifestou “indignação“ com a decisão e relembrou que pode utilizar a Lei de Reciprocidade para responder a situações de injustiça contra o Brasil.
Confira a íntegra da carta de Flávio:
Prezado Secretário Rubio,
Escrevo primeiramente para agradecer a cordialidade com que fui recebido durante minha recente visita a Washington. Nossa conversa reafirmou minha convicção de que a amizade entre nossas duas nações se baseia em valores compartilhados e em uma visão comum para a segurança e prosperidade do Hemisfério Ocidental.
Sou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Essas duas facções estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro se estendem muito além de nossas fronteiras — chegando também ao seu país. A esmagadora maioria do povo brasileiro comemorou essa medida, mesmo que ela não tenha agradado ao nosso atual governo.
É um passo decisivo para a proteção de cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.
Escrevo também, no entanto, com preocupação em relação à recente determinação da Seção 301 anunciada pelo Representante Comercial dos Estados Unidos. Embora eu entenda que nenhuma tarifa foi ainda imposta — a determinação abre um processo de consulta pública e etapas técnicas que levam a um prazo legal em julho — acredito ser meu dever compartilhar com vocês as reais condições econômicas que o povo brasileiro enfrenta neste momento.
O Brasil está passando por uma grave deterioração fiscal e econômica. Nossa dívida bruta do governo geral ultrapassou 80% do PIB pela primeira vez desde o início da pandemia, chegando a R$ 10,4 trilhões em abril — e as projeções de mercado a colocam em um recorde de 83,7% até o final do ano.
As contas públicas continuam apresentando déficit primário, enquanto os juros da dívida atingiram níveis recordes. O fardo sobre as famílias comuns é ainda mais alarmante: um número recorde de 81,7 milhões de brasileiros estão inadimplentes — quase metade da população adulta — com compromissos de dívida consumindo uma parcela sem precedentes da renda familiar. No âmbito empresarial, as recuperações judiciais — o equivalente brasileiro ao Capítulo 11 — dispararam para um recorde histórico de 2.466 empresas em 2025, enquanto 8,7 milhões de contribuintes empresariais estavam em situação de inadimplência no início de 2026. Cada um desses números representa um recorde histórico.
Nesse contexto, a imposição de novas tarifas causaria sérios prejuízos ao povo brasileiro — os mesmos cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo. Portanto, escrevo para reiterar, formalmente, o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil.
Como já disse, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil em outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais breve possível, um amplo acordo de comércio e investimento benéfico para ambas as nações — um acordo construído sobre mercados livres, respeito mútuo e a aliança estratégica que nossos dois povos merecem.
Permaneço à sua inteira disposição e aguardo com expectativa o aprofundamento da amizade entre o Brasil e os Estados Unidos.
Que Deus abençoe a América e que Deus abençoe o Brasil.
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