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Por que as ciências sociais só contam um lado da história?

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Redação O Antagonista
7 minutos de leitura 23.04.2026 17:27 comentários
Cultura

Por que as ciências sociais só contam um lado da história?

Pesquisa usou IA para analisar 600 mil resumos acadêmicos publicados entre 1960 e 2024, e sim, é quase tudo de esquerda

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Redação O Antagonista
7 minutos de leitura 23.04.2026 17:27 comentários 0
Por que as ciências sociais só contam um lado da história?
Jura que todo mundo é de esquerda?
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Uma pesquisa publicada na revista Theory and Society constatou que a produção acadêmica das ciências sociais pende à esquerda há mais de seis décadas. O estudo, assinado por James Manzi, pesquisador da Universidade de Oxford, analisou quase 600 mil resumos de artigos científicos em inglês publicados entre 1960 e 2024.

Para dar conta desse volume, o autor recorreu a um modelo de inteligência artificial capaz de classificar o conteúdo político de cada texto. Os resultados indicam que o ambiente de publicação acadêmica se tornou progressivamente mais homogêneo do ponto de vista ideológico.

A motivação e o método

O ponto de partida da pesquisa foi uma pergunta objetiva: as preferências políticas dos professores universitários nos Estados Unidos — majoritariamente de esquerda, segundo levantamentos — aparecem de fato nos trabalhos que publicam?

Antes dos avanços recentes em inteligência artificial, responder a essa pergunta exigiria um esforço humano inviável. Analisar centenas de milhares de textos científicos seria caro demais e lento demais para qualquer equipe de leitores.

Manzi contornou esse obstáculo usando um modelo de linguagem de grande escala — programa de inteligência artificial treinado para identificar padrões em enormes volumes de texto — como leitor e classificador automatizado.

A escolha pelos resumos publicados, e não por questionários respondidos por pesquisadores, teve uma razão metodológica: o texto acadêmico registra de forma estável o que as disciplinas consideram relevante e como enquadram os problemas que estudam.

O corpus reunido foi de exatamente 599.194 resumos extraídos de 367 periódicos científicos, cobrindo onze disciplinas diferentes, entre elas economia, sociologia, ciência política e estudos de gênero. O programa recebeu instruções precisas para avaliar cada resumo com base no espectro político norte-americano tal como existia em 2025.

A escala ia de zero a dez: zero representava a extrema-direita, cinco indicava neutralidade e dez correspondia à extrema-esquerda. Para calibrar o sistema, o pesquisador associou cada ponto da escala a posições políticas de figuras públicas e institutos de pesquisa reconhecidos, fornecendo ao programa referências concretas de onde situar cada ideia.

A partir desse critério, a inteligência artificial respondeu perguntas específicas sobre cada resumo: o conteúdo era relevante para debates políticos contemporâneos? Onde suas ideias se situariam nos espectros econômico e cultural de hoje?

O programa identificou 180.311 resumos com conteúdo diretamente relacionado a controvérsias políticas ou sociais em curso. Foi sobre esse subconjunto que a análise principal foi realizada.

Validação e resultados gerais

Antes de processar o conjunto principal de dados, Manzi testou a ferramenta em dois grupos de controle.

No primeiro, o programa classificou resumos de organizações políticas com posicionamento público conhecido — e os situou corretamente no espectro ideológico. No segundo, avaliou artigos de matemática teórica, área sem conteúdo político, e não gerou classificações relevantes em nenhum caso.

Os testes indicaram que o sistema funcionava dentro dos parâmetros esperados.

Os resultados do corpus principal foram expressivos. Aproximadamente 90% dos resumos classificados como politicamente relevantes apresentaram inclinação à esquerda. Todas as onze disciplinas registraram média à esquerda do centro político em todos os anos do período analisado, sem exceção.

Esse padrão persistente foi sustentado sobretudo pela escassez de trabalhos alinhados à direita: não se trata apenas de uma maioria de textos progressistas, mas de uma presença mínima de perspectivas conservadoras na maior parte das áreas.

Diferenças entre disciplinas

A trajetória ao longo do tempo variou conforme o campo do conhecimento. Disciplinas com vínculo mais direto a políticas públicas — como economia e ciência política — registraram leve moderação nas décadas de 1970 e 1980, período em que correntes como o monetarismo e o neoliberalismo ganharam espaço no debate acadêmico. Após 1990, essas áreas retomaram o deslocamento em direção à esquerda.

Já as disciplinas centradas em identidade e cultura — sociologia, estudos de gênero e áreas afins — apresentaram movimento contínuo e sem inflexões ao longo de todo o período. A partir de 2010, o deslocamento se acelerou em várias dessas áreas. O pesquisador interpretou essa aceleração não como uma ruptura, mas como a continuação de uma tendência já em curso há décadas.

A análise também separou os temas econômicos dos socioculturais. Em ambos os casos, as médias ficaram à esquerda do centro, mas os resumos foram classificados de forma consistente como mais progressistas nas questões culturais do que nas econômicas.

Essa diferença se ampliou ao longo das décadas, o que sugere que os pesquisadores se tornaram mais progressistas em temas de cultura e identidade, mesmo quando suas posições econômicas permaneceram relativamente mais próximas do centro.

O estudo identificou ainda uma relação entre a intensidade do viés e a diversidade interna das disciplinas: quanto mais à esquerda uma área se situava, menor era a variedade de perspectivas políticas encontrada em seus artigos. Com o tempo, as ciências sociais tornaram-se mais uniformes ideologicamente.

Para entender a origem desse movimento, Manzi investigou se a mudança vinha de pesquisadores alterando suas posições ao longo da carreira ou da chegada de novos acadêmicos com visões distintas.

Os dados apontam que o fator determinante foi o segundo: são os novos acadêmicos — com posições mais progressistas desde o início — que explicam a maior parte do deslocamento observado. A mudança de opinião de acadêmicos já estabelecidos teve papel secundário.

Limitações reconhecidas pelo autor

O próprio Manzi lista as restrições metodológicas que devem ser levadas em conta na leitura dos resultados. O estudo mede o tom político dos textos publicados, mas não oferece uma explicação para esse padrão.

Uma possibilidade é que os pesquisadores estejam se dedicando com mais frequência a temas — como mudança climática ou desigualdade racial — que o sistema de inteligência artificial tende a classificar como de esquerda independentemente da abordagem metodológica adotada pelos autores.

Há também uma questão ligada ao formato analisado. Resumos funcionam como cartões de apresentação dos artigos e podem conter linguagem mais afinada com tendências editoriais do momento, sem refletir necessariamente o conteúdo integral dos trabalhos.

Pesquisadores podem recorrer a termos maisaceitos para aumentar as chances de publicação, o que tornaria os resumos mais ideológicos do que os dados e métodos descritos no interior dos artigos.

O uso de um referencial político norte-americano para avaliar publicações de pesquisadores de dezenas de países também representa um limite: conceitos considerados progressistas nos Estados Unidos podem ser vistos como posições moderadas em outros contextos nacionais.

Por fim, os próprios modelos de linguagem carregam vieses derivados do material com que foram treinados, o que pode influenciar a forma como o sistema define neutralidade política ou interpreta argumentos acadêmicos mais nuançados.

O artigo “The ideological orientation of academic social science research 1960–2024” pode ser lido na íntegra.

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