Pollon rebate investigação da PF sobre emendas ligadas a ‘Dark Horse’
Deputado nega repasses à ANC, entidade presidida pro Karina Ferreira da Gama, alvo de operação nesta quinta, 10
O deputado federal Marcos Pollon apresentou sua justificativa nesta quinta-feira, 10,após ser citado em uma investigação da Polícia Federal (PF) que aponta que o parlamentar teria assinado emendas parlamentares para a Academia Nacional de Cultura (ANC), uma organização presidida por Karina Ferreira da Gama, dona da produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A informação consta no relatório da PF usado para embasar a decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que autorizou a operação contra o deputado Mário Frias, Karina e outros alvos.
No documento, a PF afirma que Marcos Pollon é eleito por Mato Grosso do Sul, enquanto Bia Kicis é eleita pelo Distrito Federal. As emendas analisadas, porém, foram destinadas ao estado de São Paulo.
Em publicação no X, Pollon afirmou que, em 2023, indicou uma emenda de R$ 1 milhão, com pagamento previsto para o início de 2024, para o projeto Heróis Nacionais, por meio do Governo do Estado de São Paulo.
Segundo o deputado, a iniciativa tinha alcance nacional e previa a produção de uma série documental sobre personagens da história brasileira, como Padre José de Anchieta e Dom Pedro I.
“E o que era o Heróis Nacionais? Um projeto de alcance nacional criado para contar aos brasileiros a história de personagens que ajudaram a construir o Brasil. A proposta previa uma série documental sobre nossa história, nossa memória e nossos heróis, com episódios sobre personagens como Padre José de Anchieta, Dom Pedro I, entre outros.
Sempre defendi que a direita não pode abandonar a cultura e deixar que a esquerda decida o que os brasileiros devem aprender sobre a própria história, ensinando mentiras aos nossos filhos e netos. Cultura também é preservar nossos valores, nossa memória e reconhecer quem ajudou a construir este país e não pode ser resumida a dinheiro público para gente rebolando a bunda em cima de um palco. O projeto era justamente para fazer o contrário: resgatar a nossa história e levá-la aos brasileiros de todo país, porém, ele não saiu do papel.”
Segundo Pollon, o próprio relatório da PF registra que nenhum valor da emenda indicada por ele foi repassado à ANC.
“Como o projeto não saiu do papel, solicitei ao governo do Estado de São Paulo que o recurso separado para esse projeto fosse realocado e destinado ao Hospital de Amor de Barretos, instituição que atende milhares de sul-mato-grossenses no tratamento contra o câncer todos os anos”, declarou.
O deputado também rebateu o questionamento sobre a destinação de uma emenda a outro estado, já que foi eleito por Mato Grosso do Sul. Pollon afirmou que a emenda foi indicada em 2023, enquanto a determinação da ADPF 854 que estabeleceu restrições à destinação de emendas para outros estados só ocorreu em agosto de 2024.
“Ou seja, querem usar uma regra criada depois para colocar sob suspeita uma emenda indicada antes de essa regra existir. E existe outro detalhe que convenientemente esquecem: a própria decisão ressalvou os projetos de alcance nacional”, disse.
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