PL recua e decide não expulsar deputado que criticou Trump por Lei Magnitsky
Conselho de Ética do PL entendeu que declaração sobre sanções a Moraes serem "o maior absurdo" está protegida pela Constituição
O Partido Liberal (PL) confirmou nesta terça-feira, 9, que não vai mais expulsar o deputado federal Antonio Carlos Rodrigues (SP) da sigla.
A expulsão chegou a ser anunciada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, no final de julho, por causa de declarações de Rodrigues contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Porém, o Conselho de Ética do partido entendeu que o mais adequado no caso seria fazer uma advertência ao parlamentar.
“O Conselho de Ética do PL, reunido em 3 de setembro do corrente ano, ao analisar, em caráter preliminar, a fala do deputado, que teria proferido críticas ao Presidente Donald Trump em face de sanções impostas pelo governo dos EUA, se pronunciou sobre o assunto, afirmando que o deputado agiu dentro dos limites do direito à liberdade de expressão, apesar da sua opinião ser divergente dos seus colegas de partido, entendeu que sua manifestação está protegida pela Constituição Federal“, diz a nota divulgada pela sigla nesta terça.
“Concluiu assim o Conselho de Ética do Partido Liberal que não havia fundamento legal para a instauração de processo ético-disciplinar contra o Deputado Antonio Carlos Rodrigues, sendo a medida mais adequada, considerando os fatos, advertir o Deputado, recomendando não reincidir nesse tipo de conduta”, complementa.
As falas que quase levaram à expulsão de Antonio Carlos Rodrigues ocorreram em entrevista ao portal Metrópoles. Ele classificou as sanções impostas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes por meio da Lei Magnitsky como “o maior absurdo” visto em sua vida política.
“É o maior absurdo que já vi na minha vida política. O Alexandre é um dos maiores juristas do país, extremamente competente. Trump tem que cuidar dos Estados Unidos. Não se meter com o Brasil como está se metendo”, declarou o congressista.
Antonio Carlos Rodrigues é ex-senador e ex-ministro dos Transportes durante o governo Dilma Rousseff (PT). Até o anúncio de sua expulsão em julho, ele ocupava posto de liderança no PL, mas vinha sendo alvo de críticas internas também por se posicionar de forma divergente em relação à política externa do partido e às principais pautas da sigla na Câmara.
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