PL da dosimetria pode impor segunda derrota seguida a Lula
Votação de veto no Congresso ocorre após queda de Messias no Senado e testa força do governo no Legislativo
O Congresso Nacional analisa nesta quinta-feira, 30, o veto do presidente Lula ao chamado PL da dosimetria, em sessão que concentra pressão política sobre o Planalto e pode resultar em uma segunda derrota em menos de 24 horas. A votação está marcada para as 10h, em sessão conjunta da Câmara dos Deputados e do Senado.
O movimento ocorre no dia seguinte à rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), resultado que expôs fissuras na base governista e reacendeu o protagonismo do Congresso na relação com o Executivo. Nos bastidores, parlamentares falam em “ambiente desfavorável” ao governo.
Para derrubar o veto, são necessários ao menos 257 votos entre deputados e 41 entre senadores. Integrantes da base governista admitem que o cenário é adverso e que a derrota já vinha sendo tratada como provável, inclusive antes do desfecho envolvendo Messias.
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A proposta da dosimetria foi aprovada pelo Congresso com ampla margem: 53 votos favoráveis no Senado, após aval da Câmara. O texto surgiu como alternativa à anistia ampla defendida por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em vez de perdão total, o projeto busca redefinir critérios de aplicação das penas, com possibilidade de redução para condenados por crimes ligados aos atos de 8 de janeiro.
Entenda
O ponto central está na mudança do cálculo das penas para crimes contra o Estado Democrático de Direito. Hoje, o entendimento do STF permite a soma das punições para delitos como abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. O projeto aprovado pelo Congresso estabelece a aplicação do concurso formal e considera a pena do crime mais grave, com acréscimo de um sexto até a metade, o que, na prática, reduz o tempo total de prisão.
O texto também prevê redução de um a dois terços da pena em casos de crimes cometidos em contexto de multidão, desde que não haja comprovação de liderança ou financiamento dos atos. A proposta ainda altera as regras de progressão de regime, permitindo a saída do regime fechado após o cumprimento de um sexto da pena.
Ao vetar integralmente o projeto em janeiro, Lula alegou inconstitucionalidade e risco ao interesse público. Na mensagem enviada ao Congresso, o governo sustentou que a flexibilização das penas poderia estimular ataques à ordem democrática e fragilizar o sistema de responsabilização penal, além de representar “proteção deficiente” a bens jurídicos fundamentais.
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Comentários (2)
Annie
30.04.2026 11:06Se isso acontecer será uma grande semana.
Espero que as tias do zap tenham suas penas reduzidas, ou até já cumpridas. Tem outros que merecem um pouco mais. Uma coisa eu tenho certeza, essas prisões foram mesmo para socializar . Acho que a maioria ali não apronta mais em nome de ídolos de cera .