PF não encontrou envelopes do Senado citados por Jaques Wagner
Informação obtida por O Globo com fontes ligadas à investigação contraria versão do senador petista sobre origem de dinheiro apreendido
A Polícia Federal não encontrou envelopes com “timbres” do Senado Federal no quarto de hotel onde apreendeu US$ 55 mil e 33 mil euros ligados ao senador Jaques Wagner (PT-BA), segundo fontes da corporação ouvidas por Malu Gaspar, do jornal O Globo. A informação contradiz a versão apresentada pelo parlamentar sobre a origem do dinheiro.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Wagner afirmou na última quinta-feira, 25, que “seguramente abriram o envelope do Senado onde estavam minhas diárias, botaram lá na caminha e fotografaram.”
Segundo investigadores, porém, não havia qualquer envelope da Casa no local da busca.
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Operação Compliance Zero
A apreensão ocorreu em 18 de junho, durante a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de favorecimento ao Banco Master.
Desde então, o senador afirma que os dólares e euros encontrados correspondem a diárias acumuladas ao longo de viagens oficiais.
De acordo com a Polícia Federal, o valor apreendido supera o total de diárias em moeda estrangeira recebidas por Wagner desde 2019.
Questionado sobre a diferença, o senador respondeu:
“Isso é ao longo de oito, dez anos. Fui governador, também recebia diária. A pergunta deles é se eu recebi dólar de alguém. Não recebi de ninguém.”
A investigação apura suspeitas de que Wagner tenha recebido vantagens ligadas ao Banco Master por meio da empresa da nora, utilizado jatos do empresário Augusto Lima e recebido um apartamento em Salvador.
A PF também investiga a suposta atuação do senador em favor de uma emenda de interesse do banco.
Wagner deixa liderança do governo
Nesta semana, Wagner deixou a liderança do governo no Senado após conversar com o presidente Lula. Segundo o parlamentar, o objetivo é concentrar esforços em sua defesa.
O senador também criticou a divulgação da foto do dinheiro apreendido pela Polícia Federal.
“Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava-Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta”, afirmou.
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