PF faz busca na casa de lobista investigado em esquema de venda de sentenças no STJ
Apontado como um dos principais articuladores no "comércio de decisões judiciais", Andreson Gonçalves cumpre prisão domiciliar desde julho
A Polícia Federal (PF) cumpriu nesta sexta-feira, 3, um mandado de busca e apreensão na residência do empresário e lobista Andreson de Oliveira Gonçalves (foto), investigado na Operação Sisamnes por envolvimento em um esquema de venda de sentenças do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A ordem foi expedida pelo ministro Cristiano Zanin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Gonçalves está em prisão domiciliar desde julho em um condomínio fechado em Primavera o Leste, no interior do Mato Grosso.
Durante a operação, a PF prendeu um ex-policial militar, que atuava como segurança particular do lobista.
As investigações da Sisabmes miram em uma rede de lobistas, desembargadores do Mato Grosso e ex-servidores de quatro gabinetes do STJ que teriam participado de um esquema de comércio de decisões judiciais.
Verdadeiro comércio de decisões judiciais” no STJ
Em outra decisão, Zanin afirmou haver indícios de um “verdadeiro comércio de decisões judiciais” promovido entre lobistas e servidores do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Ao autorizar uma operação da Polícia Federal para recolher documentos, Zanin definiu que o empresário e lobista Andreson de Oliveira Gonçalves teve uma “decisiva função no verdadeiro comércio de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça”.
Ainda segundo Zanin, os “relatos descortinam indícios” de que Gonçalves “estabeleceu rede de contatos com magistrados e assessores de Ministros do Superior Tribunal de Justiça e de integrantes dos Tribunais de Justiça, bem como com uma série de intermediadores, a fim de auferir benefícios derivados de decisões judiciais e informações privilegiadas”.
Documentos falsificados do STJ
Além das minutas, os investigadores também encontraram indícios de que Andreson de Oliveira Gonçalves forjava documentos para tentar captar novos clientes.
A PF identificou, por exemplo, uma falsa decisão de prisão atribuída ao ministro Og Fernandes na Operação Faroeste. A suspeita é que o lobista tenha falsificado a decisão para tentar extorquir um empresário.
A organização localizou também modelos de decisões com marca d’água do STJ.
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