PF: doações via PIX bancaram “atividades ilícitas” de Eduardo
Relatório da Polícia Federal sobre atuação do filho de Jair Bolsonaro aponta repasse de R$ 2 milhões e câmbio de R$ 1,66 milhão para os EUA
O relatório final da Polícia Federal que embasa o indiciamento de Eduardo e Jair Bolsonaro (foto) por coação no processo da trama golpista aponta o uso de doações via PIX para dar suporte às “atividades ilícitas” do filho do ex-presidente nos Estados Unidos.
“Verifica-se que as reiteradas ações de arrecadação e financiamento de valores por meio de apoiadores do ex- presidente JAIR BOLSONARO em campanhas de doações de PIX vem se materializando em instrumento de financiamento e suporte de atividades ilícitas com a finalidade de coagir autoridades públicas (Ministros do STF, Procurador-geral da República e Policiais Federais) vinculadas à AP n° 2668 e investigações correlatas, causar impacto desproporcional na ordem pública e econômica nacional, além de gerar grave desestabilização das relações diplomáticas entre o Estado brasileiro e os Estados Unidos da América, de forma a atender os interesses ilícitos e exclusivamente pessoais dos investigados”, diz o relatório.
A PF descreve que Eduardo Bolsonaro atuou ao longo de 2025 junto a autoridades governamentais dos Estados Unidos para obter a imposição de sanções contra agentes públicos do Estado brasileiro.
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Depoimento
Em depoimento à PF no âmbito do inquérito, Jair Bolsonaro afirmou ter repassado 2 milhões de reais ao filho em 13 de maio de 2025 por meio de PIX, a partir de sua própria conta, e que os valores tinham origem em doações feitas por apoiadores.
“Em depoimento, o ex-presidente admitiu que os valores repassados a EDUARDO BOLSONARO não são originariamente fruto de proventos auferidos diretamente por meio de trabalho ou qualquer atividade econômica por si desempenhada, mas de campanhas de arrecadação de doações feitas por apoiadores via PIX”, diz o documento da PF.
O relatório transcreve o trecho do interrogatório e destaca que o repasse ocorreu quando Eduardo já se encontrava no exterior.
Transações
A análise financeira reuniu dados de relatórios de inteligência e do Coaf. A PF identificou repasses “reiterados e fracionados” ao longo de 2025, seguidos por uma transação atípica de 2 milhões de reais em 13 de maio diretamente para a conta do parlamentar.
Após receber os valores do pai, Eduardo realizou, em 29 de maio, operação de câmbio de 1.661.835,76 de reais com destino aos Estados Unidos, via canal bancário associado ao Wells Fargo. À corretora, o deputado federal informou que a origem era doação feita por Jair Bolsonaro.
O relatório também registra movimentações envolvendo familiares.
Depois de receber os 2 milhões de reais, Eduardo transferiu 50 mil reais em 19 de maio e 150 mil reais em 5 de junho para conta no Brasil de titularidade de Heloísa Bolsonaro, sua mulher.
Em 4 de junho, um dia antes de depor à PF, Jair Bolsonaro transferiu 2 milhões de reais à esposa, Michelle Bolsonaro.
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