PF avalia incluir Vorcaro em ‘difusão prateada’ da Interpol
Mecanismo permite rastrear valores remetidos ao exterior, incluindo os cerca de R$ 61 milhões enviados a fundo ligado ao filme Dark Horse
A Polícia Federal estuda pedir a inclusão do banqueiro Daniel Vorcaro (foto), ex-controlador do Banco Master, na chamada difusão prateada da Interpol, mecanismo voltado ao rastreamento e eventual bloqueio de bens e recursos no exterior.
A medida integra as investigações sobre as fraudes bilionárias envolvendo a instituição financeira.
A ferramenta, criada recentemente pela Interpol, permite a cooperação entre países para identificar patrimônios, contas bancárias e ativos de investigados fora de seus países de origem.
Diferentemente da difusão vermelha, utilizada para localizar foragidos, o foco da modalidade prateada é o patrimônio.
Dark Horse
Segundo as investigações, a medida poderá alcançar valores enviados por Vorcaro aos Estados Unidos, incluindo cerca de R$ 61 milhões destinados ao fundo Havengate Development Fund, ligado ao financiamento do filme Dark Horse, que retrata a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018.
A Polícia Federal também apura se parte desses recursos teria sido usada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O dinheiro foi remetido a um fundo administrado por um advogado associado ao grupo político do filho do ex-presidente.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, como mostramos, defendeu nesta semana a abertura de um inquérito específico para investigar as transferências relacionadas ao filme.
“Agora precisamos aguardar a decisão jurídica e dar os passos seguintes”, afirmou.
A inclusão de Vorcaro na difusão prateada ainda depende de parecer da Procuradoria-Geral da República e de autorização do Supremo Tribunal Federal. Também será necessário o aval das autoridades dos países envolvidos na cooperação.
Leia mais: PF está de olho no fundo que financiou ‘Dark Horse’
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