PF está de olho no fundo que financiou ‘Dark Horse’
Inquérito pode investigar se recursos do Master financiaram estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos
A Polícia Federal estuda acionar a Justiça dos EUA para obter acesso às movimentações financeiras de um fundo no Texas que recebeu valores do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, sob a alegação de patrocinar o documentário Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação busca determinar se parte dos R$ 61 milhões transferidos ao fundo Havengate Development Fund foi utilizada para cobrir gastos pessoais do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.
Suspeitas sobre o destino dos recursos
De acordo com informações da Folha, a PF desconfia que os valores enviados pela Entre Investimentos e Participações — empresa vinculada ao dono do Master — não teriam se limitado ao financiamento da produção cinematográfica.
Uma das linhas de investigação é que parte do dinheiro teria custeado a permanência de Eduardo nos EUA, além de ações interpretadas pelos investigadores como tentativas de pressão sobre autoridades brasileiras, por meio do governo de Donald Trump.
O fundo americano, criado em dezembro de 2020, é administrado por Paulo Calixto, advogado com histórico no serviço de cidadania e imigração dos Estados Unidos e no Departamento de Estado americano. Imagens públicas registram encontro entre Calixto e Eduardo Bolsonaro em 2023.
Caminhos jurídicos e uso da Interpol
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, declarou à GloboNews que considera necessária a abertura de um inquérito específico para apurar o envio dos recursos ao exterior. Segundo ele, uma representação já foi encaminhada à Procuradoria-Geral da República para que o órgão indique o foro competente e o relator adequado.
Rodrigues elencou três possibilidades: o caso pode ser incorporado ao inquérito do Master, sob relatoria do ministro André Mendonça no STF; pode ser reunido à investigação sobre Eduardo Bolsonaro, conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes — que no dia 26 pediu à PGR a inclusão de Jair e Flávio Bolsonaro nesse processo —; ou ainda ser distribuído por sorteio a outro ministro da Corte.
A PF também pretende recorrer à Difusão Prata da Interpol, mecanismo voltado à identificação e ao bloqueio de patrimônio de investigados, distinto da Difusão Vermelha, que tem foco na localização de foragidos. O Brasil integra o grupo de 53 países que aderiram à iniciativa.
Flávio Bolsonaro, em nota divulgada quando o patrocínio foi revelado pelo Intercept Brasil, afirmou ser “falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro” e disse que “os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos”.
Paulo Calixto não se pronunciou.
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