Petistas criticam ‘censura’ e Flávio não comenta suspensão de pesquisa
Decisão de Kassio Nunes Marques divide partidos e levanta dúvidas sobre a imparcialidade; AtlasIntel defende rigor científico
A ordem judicial que retirou do ar uma pesquisa eleitoral desfavorável a Flávio Bolsonaro (PL) gerou reações opostas no espectro político brasileiro e reabriu o debate sobre os limites de atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a menos de um ano das eleições presidenciais.
Enquanto o PT classificou a medida como ‘censura’ e passou a observar com desconfiança o presidente da corte, Kassio Nunes Marques, o campo bolsonarista aprovou a decisão sem alarde — evitando reacender o episódio que motivou a pesquisa.
Esquerda vê interferência
Para o PT, a suspensão do levantamento representa uma interferência indevida sobre a atividade de institutos de pesquisa.
A pesquisa havia sido realizada logo após a divulgação de um áudio em que Flávio Bolsonaro teria pedido recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filmeDark Horse, e registrou o senador com apenas seis pontos percentuais num hipotético segundo turno contra o presidente Lula.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que o senador deu um “tiro no pé” ao “pedir censura” por trazer “de volta o tema do vazamento do áudio”.
Já o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), disse à Folha de S.Paulo que Flávio seguiu a máxima de “quando não consegue ganhar na mensagem, ataca o mensageiro”.
Nos bastidores, lideranças petistas passaram a monitorar a postura de Kassio Nunes Marques — indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e responsável por presidir o TSE no período eleitoral.
A avaliação interna é de que o magistrado pode ceder com maior facilidade a demandas do PL em casos futuros. Ainda assim, o partido tende a evitar um confronto público com o presidente da corte, pesando o custo político de uma disputa institucional às vésperas do pleito.
Bolsonaristas comemoram (discretamente)
Do lado do PL, a reação foi estrategicamente discreta. Flávio Bolsonaro limitou-se a compartilhar a notícia nas redes sociais com a frase “TSE suspende pesquisa que induzia respostas contra Flávio Bolsonaro”, sem emitir nota formal ou conceder declarações.
A contenção tem razão de ser: qualquer destaque excessivo à decisão poderia recolocar em circulação o episódio do áudio com Vorcaro — assunto que o partido prefere enterrar.
A pré-campanha do PL havia argumentado, no pedido ao TSE protocolado em 19 de maio, que o questionário foi “estruturado de forma a induzir gravemente uma percepção negativa” sobre o pré-candidato, com perguntas que associavam Flávio Bolsonaro ao Banco Master e ao ex-banqueiro.
A AtlasIntel rebateu as acusações em nota, afirmando que as intenções de voto foram registradas antes de qualquer menção ao conteúdo do áudio — e que os entrevistados não podiam retornar às respostas já dadas.
O levantamento ouviu 5.032 pessoas entre 13 e 18 de maio de 2026, pelo método de recrutamento digital aleatório.
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