Nunes Marques endossa suspeita sobre pesquisa
Presidente do TSE alegou urgência para suspender a divulgação de levantamento da AtlasIntel, mas ninguém mais falava sobre esses números
Ao suspender a pesquisa AtlasIntel que indicou primeiro a queda nas intenções de voto para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a revelação sua relação com Daniel Vorcaro, o ministro Kassio Nunes Marques (foto) endossou as suspeitas semeadas pelos bolsonaristas.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) justificou a urgência para suspender por decisão liminar a pesquisa sob a alegação de que “a permanência de circulação de levantamento cuja higidez metodológica se encontra sob questionamento pode potencializar efeitos de difícil reversão no contexto do processo eleitoral, especialmente diante da elevada capacidade de difusão e replicação do conteúdo em meios digitais e veículos de comunicação”.
Ninguém mais fala sobre essa pesquisa, contudo, até porque os levantamentos subsequentes, de institutos como Datafolha, Nexus e Realtime Big Data, corroboraram o impacto negativo da revelação da relação com o dono do Banco Master para a pré-campanha de Flávio.
O ministro diz ainda que “a presente análise possui natureza estritamente precária e perfunctória, não importando antecipação de juízo definitivo acerca da regularidade da pesquisa impugnada”. Mas o fato é que o despacho “urgente” de sua liminar serve só para alimentar as suspeitas.
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Só a primeira
A pesquisa AtlasIntel foi apenas a primeira a mostrar queda nas intenções de voto para Flávio, e havia esperança, àquela altura, de que os números estivessem viciados ou pudessem vir a ser desmentidos por outros institutos. Mas ocorreu exatamente o contrário.
Os bolsonaristas questionaram formalmente o fato de o instituto ter transmitido um áudio em que o Flávio pede dinheiro ao dono do Banco Master para finalizar o filme Dark Horse, sobre a campanha que levou Jair Bolsonaro à Presidência da República, em 2018.
O instituto esclareceu que o áudio foi exibido após o preenchimento das perguntas sobre intenção de voto e que serviu apenas para analisar a impressão dos consultados sobre o conteúdo.
O PL também questionou formalmente a forma como algumas das perguntas foram feitas, mas o fato é que a pesquisa da AtlasIntel não indicou nada de destoante de qualquer outro instituto.
Nunes Marques pediu que tanto AtlasIntel quanto o Ministério Público Eleitoral se manifestem sobre a questão antes de que ela venha a ser submetida ao plenário do TSE. O julgamento do colegiado sobre a questão deve indicar em que clima decorrerá a corrida presidencial deste ano.
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