Petista pede proibição da exibição de filme sobre Bolsonaro em período eleitoral
Segundo Rogério Correia, representação busca impedir que filme seja usado como instrumento de propaganda eleitoral dissimulada
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolou uma representação eleitoral no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta terça-feira, 19, em que pede a proibição da exibição pública, lançamento comercial, pré-estreia, sessões promocionais e distribuição do filme “Dark Horse” durante o período eleitoral de 2026. O filme retratará a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O petista quer que a proibição vigore durante a pré-campanha, campanha, primeiro turno e eventual
segundo turno, e alcance também a divulgação paga, impulsionamento, veiculação de trailers patrocinados, eventos de lançamento e circulação coordenada de “Dark Horse”.
A representação é assinada também pelos advogados Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, e Reinaldo Santos.
Eles defendem a fixação de multa diária não inferior a 1 milhão de reais para quem descumprir a proibição, sem prejuízo de majoração, responsabilização pessoal dos dirigentes e comunicação ao Ministério Público Eleitoral.
Pedem ainda outras medidas ao TSE, como a identificação completa de todos os financiadores do filme, investidores, patrocinadores, intermediários, beneficiários finais e empresas envolvidas no filme.
“A presente representação eleitoral busca impedir que o filme ‘Dark Horse’, cinebiografia política de Jair Bolsonaro, seja utilizado como instrumento de propaganda eleitoral dissimulada, campanha paralela, abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação social, caixa 2 eleitoral, doação empresarial indireta e lavagem de dinheiro em benefício do campo político nas eleições presidenciais de 2026″, diz o documento.
“A publicação da Intercept Brasil, em 13 de maio de 2026, revelou que Flávio Bolsonaro teria negociado diretamente com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, um aporte de 24 milhões de dólares, aproximadamente 134 milhões de reais, para financiar o filme ‘Dark Horse’. Segundo a reportagem, ao menos 10,6 milhões de dólares, cerca de 61 milhões de reais, teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, para viabilizar a produção audiovisual”.
A representação prossegue: “No dia 15 de maio de 2026, a Intercept Brasil acrescentou que Eduardo Bolsonaro teria poder sobre o dinheiro do ‘Dark Horse’, conforme contrato de produção que o colocaria na condição de produtor-executivo, com atribuições relacionadas à captação de recursos, investidores, patrocínios, créditos, incentivos e gestão financeira do projeto”.
O documento ressalta ainda que o senador Flávio Bolsonaro só admitiu ter buscado financiamento junto a Vorcaro para o filme após a divulgação de áudio e que a produtora responsável, por outro lado, teria negado o recebimento de valores do banqueiro, do Banco Master ou de empresas a ele vinculadas.
“Essa divergência exige apuração sobre eventual pagamento indireto, interposição de pessoas, triangulação internacional, despesas paralelas, contabilidade informal, ocultação de beneficiário final ou lavagem de dinheiro”.
Para o deputado do PT e os advogados, “a gravidade eleitoral decorre da combinação entre conteúdo político, escala financeira, calendário eleitoral, envolvimento de agentes políticos, estrutura estrangeira e possível origem ilícita dos recursos“.
O filme, reforçam, “tem como personagem central Jair Bolsonaro, ex-liderança política nacional, ex-presidente da República e principal fiador simbólico do campo político de extrema-direita”. “Seu lançamento a poucas semanas da eleição presidencial pode funcionar como peça de comunicação política de enorme impacto”, acrescentam. Por enquanto, não há decisão do TSE.
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