Petista pede à PF investigação sobre relação de Flávio com empresas de Vorcaro
Notícia de fato foi protocolada após revelação de que escritório de Flávio emitiu notas para empresas usadas em esquema
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou nesta quinta-feira, 23, à Polícia Federal (PF), uma notícia de fato para que abra investigação sobre a relação do senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com “as empresas de fachada de Daniel Vorcaro“, dono do Banco Master.
A iniciativa ocorre após o portal Metrópoles revelar, na quarta, 22, que o escritório de advocacia de Flávio emitiu e cancelou duas notas fiscais que somavam 1 milhão de reais em favor de uma empresa apontada como de fachada e usada por Vorcaro para movimentar 58 milhões de reais do Banco Master.
As notas, no valor de 500 mil reais cada, foram emitidas em 7 de abril de 2025 pelo escritório que tem Flávio como único sócio.
Os documentos indicavam a prestação de serviços à Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A. e foram cancelados na mesma data. Naquele período, Vorcaro já havia realizado aportes milionários na empresa.
Em 9 de abril, o escritório de Flávio emitiu uma terceira nota fiscal, também no valor de 500 mil reais, desta vez em nome da Contábil Correa. Nesse caso, não há registro de cancelamento.
As duas empresas possuem uma ligação em comum: o contador Rogério Lourenço Novo. Ele aparece nos registros da Receita Federal como único diretor responsável pela Copenhagen, empresa da qual afirma ser proprietário, e também como único sócio da Contábil Correa.
Além disso, Rogério integra o conselho fiscal da Ambipar, outra companhia relacionada ao grupo de Daniel Vorcaro.
Lindbergh anunciou a apresentação da notícia de fato por meio de publicação no X. “Flávio tem muito que explicar sobre essas notas que ele emitiu e os R$ 500 mil que ele recebeu por supostos serviços prestados. Que serviços são esses, Flávio?”, disse o petista.
Flávio rebate reportagem
Em vídeo publicado na quarta-feira, Flávio negou qualquer irregularidade. O senador afirmou que foi contratado apenas pela Contábil Correa e que a negociação com a Copenhagen não foi concluída, motivo pelo qual as notas fiscais foram canceladas.
“Não movimentou nada, não tem prestação de serviço, não tem absolutamente nada de errado”, afirmou.
Flávio também disse que não é alvo de investigação e acusou órgãos públicos de divulgarem informações protegidas por sigilo. Ao comentar o caso nas redes sociais, afirmou que reportagens negativas surgem sempre que aparece em posição favorável nas pesquisas eleitorais.
O episódio ocorre meses depois de o senador admitir ter buscado apoio financeiro de Daniel Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro. Segundo o Intercept Brasil, o empresário aportou 61 milhões de reais no projeto. Flávio nega qualquer irregularidade no caso.
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