Penduricalhos unem esquerda e direita nas redes, aponta estudo
Relatório indica consenso contra supersalários; Judiciário lidera críticas
Críticas aos chamados penduricalhos uniram esquerda e de direita nas redes sociais ao longo dos últimos 12 meses e dominaram o debate sobre o funcionalismo público. É o que aponta o relatório Funcionalismo Público na Arena Digital, elaborado pelo Observatório Lupa para a República.org com dados coletados entre julho de 2025 e junho de 2026. O relatório foi divulgado neste sábado, 25, na Folha.
Segundo o levantamento, 47,2% das cerca de 935 mil publicações sobre funcionalismo trataram de supersalários e benefícios acima do teto constitucional. O tema ganhou força após a decisão do ministro do STF Flávio Dino, em fevereiro, de limitar remunerações acima do teto, o que impulsionou as menções nas redes.
O estudo identificou diferenças na forma como o assunto circula em redes sociais abertas e em aplicativos de mensagens.
Nas plataformas públicas, predominou a avaliação de que os privilégios da elite do serviço público são o principal problema. Já em grupos de WhatsApp e Telegram, embora também haja críticas aos penduricalhos, ganhou espaço a narrativa de que “o governo Lula expandiu e tolerou os penduricalhos”.
O relatório também mostra que o Judiciário, seguido pelo Congresso Nacional, concentra a maior parte das críticas e é frequentemente retratado como uma elite distante da população.
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Tribunais driblam STF
O STF elegeu os pagamentos acima do teto constitucional como bandeira para tentar sair das cordas da crise em que se meteu por causa do escândalo do Banco Master e do desgaste com o julgamento da trama golpista e o inquérito das fake news, mas o plano não tem dado muito certo.
Após o ministro Flávio Dino despachar liminar para proibir os chamados penduricalhos, o plenário votou para liberar parte desses pagamentos extras.
Mas o que o STF decide não parece fazer muita diferença nessa seara.
Ao menos sete tribunais estaduais, porém, utilizaram resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para realizar pagamentos a magistrados que superam o teto constitucional de 46,4 mil reais apesar da decisão do STF, como mostrou a Folha de S.Paulo.
Levantamento feito pelo jornal em maio indicou que 616 juízes e desembargadores receberam valores acima do permitido, com casos extremos atingindo a cifra de 495 mil reais em um único mês.
Isso foi viabilizado por uma resolução conjunta de CNJ e CNMP, que, ao criar brechas regulatórias, permitiu a manutenção ou recriação de benefícios que o STF havia restringido em decisões anteriores.
Embora o Supremo tenha definido que, sob condições específicas, os ganhos totais poderiam chegar a um máximo de 78,8 mil reais, a normativa administrativa abriu espaço para que esses valores fossem extrapolados.
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