PCO rompe apoio a Lula e orienta voto nulo no segundo turno
Decisão foi aprovada na 39ª Conferência Nacional do partido, que definiu voto nulo na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro
O Partido da Causa Operária (PCO), de extrema-esquerda, decidiu orientar seus eleitores a votar nulo no segundo turno da eleição presidencial deste ano, em que o presidente Lula (PT) enfrenta o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A posição foi aprovada pela 39ª Conferência Nacional da legenda, realizada no domingo, 11, em São Paulo, após debate entre os delegados do partido.
Em 2022, o PCO apoiou a candidatura de Lula nos dois turnos da eleição presidencial. O petista enfrentou Jair na segunda etapa do pleito daquele ano. Antes, em 2018, a sigla apoiou o petista também, antes de sua candidatura ser barrada pela Justiça Eleitoral.
Já em 2026, o PCO teve um candidato próprio à Presidência da República no primeiro turno: o presidente nacional da sigla, Rui Costa Pimenta. Ele ficou em último lugar, com 0,01% dos votos válidos (15.024).
O PCO afirma que o cenário deste ano é diferente daquele que levou a legenda a apoiar Lula nas eleições anteriores. Na avaliação da direção do partido, o terceiro mandato aproximou o petista de setores do Supremo Tribunal Federal (STF), da direita tradicional e do que o partido chama de interesses do “grande capital”.
O PCO cita a política econômica do governo, critica o arcabouço fiscal e acusa a gestão petista de favorecer os interesses dos bancos. A direção também menciona os ex-ministros Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo em seu balanço.
Além disso, critica a política externa adotada pelo Brasil em relação à Palestina e à Venezuela.
O PCO diz reconhecer que um governo de Flávio Bolsonaro poderia, em sua avaliação, ampliar medidas contrárias aos trabalhadores, mas rejeita usar esse risco como justificativa para apoiar Lula. A legenda critica a estratégia eleitoral do chamado “mal menor”.
Segundo o PCO, o apoio a Lula nas eleições anteriores estava ligado ao cenário aberto pela prisão do petista, sua exclusão da disputa de 2018 e pela reação ao que a legenda chama de “golpe” contra Dilma Rousseff (PT). Para o partido, esse contexto já não existe em 2026.
A orientação para votar nulo aprovada pela sigla vale também para as disputas a governos estaduais restantes.
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