PCC usou motoboy, eletricista e até morto em esquema de lavagem de dinheiro
Relatório da PF aponta uso de laranjas humildes em empresas de fachada; Movimentação é de aproximadamente R$ 982 milhões
Relatório da Polícia Federal (PF) que apura o esquema criminoso no setor de combustíveis, comandado por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), revelou o uso de uma série de “laranjas”, incluindo pessoas humildes para ocultar, os reais proprietários dos negócios.
Segundo as investigações, a lista inclui motoboys, lavadores de carros, eletricistas e até um homem morto há mais de quatro anos. A prática tinha como objetivo encobrir a real estrutura de controle dos negócios e lavar dinheiro oriundo de atividades criminosas.
“Trata-se de pessoas humildes (como lavadores de carro, vendedores, motoboys e eletricistas) as quais, não obstante já terem sido descortinados em operações policiais anteriores, continuam deliberadamente praticando atos formais e fornecendo seus dados pessoais para serem utilizados sub-repticiamente pelos líderes do grupo criminoso na constituição de empresas”, diz trecho do relatório tornado público na última quinta, 28.
Lavagem de dinheiro
A PF aponta que um dos integrantes do PCC estruturou uma rede de lavagem de dinheiro a partir da criação de empresas fictícias.
Somente uma delas, registrada em nome de um homem morto, recebeu recebeu R$ 5,9 milhões em 2.396 depósitos fracionados em dinheiro em espécie.
A mesma empresa realizou 730 transferências suspeitas para distribuidoras de combustíveis, entre janeiro de 2019 e agosto de 2023, no valor de R$ 169 milhões.
Outra empresa, registrada em nome de um homem identificado como Joaquim, recebeu R$ 5,2 milhões das empresas investigadas.
Laranjas remunerados
Um dos supostos laranjas relatou trabalhar como motoboy, recebendo R$ 1,5 mil por mês para atuar em nome do grupo. Nos registros formais, ele aparecia vinculado a pelo menos 18 empresas.
Segundo a PF, o motoboy contribuiu ao longo dos anos “de forma frequente e substancial na atividade de branqueamento de capitais desenvolvida pelo grupo”.
Outro caso citado é o de um eletricista da cidade de Piracicaba (SP), que admitiu ter “emprestado” seu nome para figurar como sócio minoritário de uma empresa ligada ao grupo.
A empresa em questão movimentou R$ 982 milhões.
O frentista, porém, diz não ter nenhum conhecimento sobre sua gestão.
Ao todo, foram identificados 28 postos de combustíveis envolvidos no esquema, sendo 27 no Paraná e 1 em São Paulo, registrados em nome de laranjas.
Leia mais: “PCC já pode ser classificado como uma organização mafiosa”, diz promotor
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)