“PCC já pode ser classificado como uma organização mafiosa”, diz promotor
Lincoln Gakiya alerta que, se nada for feito, o Brasil pode se tornar um narcoestado nos próximos anos
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, com experiência de mais de 20 anos de atuação no Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de Presidente Prudente (GAECO), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), afirmou que o PCC (Primeiro Comando da Capital) “já pode ser classificado como uma organização mafiosa“.
“Não, é impossível. O PCC já pode ser classificado como uma organização mafiosa. Não precisa mais da ostensividade da violência, exibindo fuzis e praticando crimes cinematográficos. Ele já passou dessa fase, está ganhando muito dinheiro, principalmente com o tráfico internacional de cocaína para a Europa. Esse dinheiro volta e precisa entrar na economia formal.
Antigamente, o PCC montava empresas de fachada, mais simples de detectar. Agora, as empresas são lícitas, têm funcionários, prestam serviços reais e têm capital da facção. É muito difícil dimensionar em que negócios o PCC está. É mais fácil dizer em qual ramo da economia ele não está”, afirmou, em entrevista ao Globo, ao comentar a megaoperação realizada na quinta, 28 para desarticular um esquema criminoso no setor de combustíveis, comandado por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Risco de um narcoestado no Brasil
Para o promotor, o Brasil pode se tornar um narcoestado nas próximas décadas, caso nada de diferente for feito.
“Estamos em um processo de formação — claro que isso pode demorar duas, três décadas — de um Estado paralelo, de um narcoestado, se nada for feito. Quando o crime começa a dominar as prefeituras, as câmaras municipais, e depois a ter influência sobre os governos estaduais, pode chegar a eleger um presidente ou então ter ligações diretas com o presidente, como já aconteceu na Colômbia e no México. É isso que precisamos evitar. O crime organizado está num processo de crescimento exponencial. E ninguém sabe onde isso vai chegar se não tomarmos uma providência diferente de tudo que foi feito até agora”, disse
Gayika afirmou ser favorável à criação de uma agência “antimáfia”, composta por todas as instituições.
“Sou a favor da criação de uma agência antimáfia. Nós já temos máfia no Brasil, o PCC já é uma organização mafiosa. Seria um órgão composto por todas as instituições e não por uma ou algumas delas. Eu defendo este modelo, não o Ministério Público. Com base na experiência da Itália.”
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Comentários (1)
Clayton De Souza pontes
29.08.2025 22:18O estado paralelo ainda não está integrado. Vai puorar se CV , PCC e as milícias secassociarem pra enfrentar ou se apoderar do poder do estado. Enquanto isso vemos essa disputa polarizada sem nenhum projeto para o país