“Padronizada, menor risco”, diz médico de Bolsonaro sobre cirurgia
Ex-presidente será internado no hospital DF Star na quarta, 24, para realização de uma herniorrafia inguinal
O cirurgião-geral Claudio Birolini, responsável por acompanhar o quadro de saúde de Jair Bolsonaro (PL), afirmou nesta terça, 23, que a cirurgia à qual o ex-presidente será submetido na próxima quinta-feira, 25, no hospital DF Star, em Brasília, é “padronizada, com menor risco de complicações”.
Segundo Birolini, o procedimento – uma herniorrafia inguinal – deve durar entre três a quatro horas.
O médico afirmou que “toda cirurgia é complexa”, mas disse que este procedimento cirúrgico deve ser muito mais simples em comparação à operação realizada em abril, que se estendeu por cerca de 12 horas.
“É muito mais simples por se tratar de um procedimento padronizado e realizado de forma eletiva. A outra foi uma cirurgia não regrada, em uma situação de emergência no que chamamos de um ‘abdome hostil’”, afirmou ao Estadão.
Autorização
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça, 23, a realização da cirurgia. Bolsonaro será internado na quarta, 24, com a presença de dois agentes da Polícia Federal (PF) na porta do quarto do hospital.
“AUTORIZO O DESLOCAMENTO E INTERNAÇÃO de JAIR MESSIAS BOLSONARO PARA O HOSPITAL DF STAR, no dia 24 de dezembro de 2025, para a REALIZAÇÃO DO PROCEDIMENTO CIRÚRGICO, no dia 25 de dezembro de 2025”, diz a decisão do ministro, que faz ressalvas que indicam sua preocupação com a possibilidade de fuga ou manifestação de Bolsonaro.
“A Polícia Federal deverá providenciar a completa vigilância e segurança do custodiado durante sua estadia, bem como do hospital, mantendo equipes de prontidão. A Polícia Federal deverá garantir, ainda, a segurança e fiscalização 24 (vinte e quatro) horas por dia, mantendo, no mínimo 2 (dois) policiais federais na porta do quarto do hospital, bem como as equipes que entender necessárias dentro e fora do hospital”, diz Moraes no despacho, completando:
“Está vedado o ingresso no quarto hospitalar de computadores, telefones celulares ou quaisquer dispositivos eletrônicos, salvo obviamente os equipamentos médicos, devendo a Polícia Federal assegurar o cumprimento da restrição.”
Presença de Michelle
O ministro liberou apenas a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como acompanhante do ex-presidente: “As demais visitas somente poderão ocorrer com prévia autorização judicial”, decidiu.
A defesa tinha pedido permissão para que o ex-vereador Carlos Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pudessem atuar como acompanhantes secundários, quando necessário.
Hérnia
No pedido para a realização da cirurgia, a defesa de Bolsonaro requereu que Bolsonaro fosse “conduzido e internado no hospital DF Star, na data de amanhã, quarta-feira, dia 24 de dezembro, a fim de que possa ser submetido aos exames necessários e preparatórios ao procedimento cirúrgico”.
Os médicos de Bolsonaro informaram no domingo, 21, que o ex-presidente teria de ser submetido a uma cirurgia para correção de uma hérnia inguinal bilateral.
A decisão veio após exames clínicos e de imagem confirmarem o problema, segundo nota assinada pelo cirurgião geral Claudio Birolini e pelo cardiologista Leandro Echenique.
De acordo com a equipe médica, os exames mostraram a projeção de parte do intestino para fora da parede abdominal durante a manobra de Valsalva, que aumenta a pressão interna do abdômen.
“Diante dos achados clínicos e de imagem, ele será submetido ao tratamento cirúrgico denominado herniorrafia inguinal bilateral”, diz a nota divulgada pelos médicos.
Bolsonaro concederia uma entrevista nesta terça, mas a cancelou minutos antes, alegando questões de saúde.
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