Padilha rebate argumento de clubes e defende proibição das bets
Ministro da Saúde citou o impacto do vício em apostas sobre mulheres e o risco de suicídio
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, rebateu nesta terça-feira, 3, o argumento de um representante de clube de futebol de que a proibição das bets prejudicaria a estrutura financeira das agremiações.
Durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), Padilha destacou os impactos do vício em apostas sobre a saúde das mulheres e mencionou o aumento do risco de suicídio associado aos jogos online.
“Com todo respeito, eu ouvi um representante de um time de futebol que acabou de falar que a briga dele são os clubes, o salário, como manter o time de futebol. A minha briga são as mulheres: 65% delas têm vergonha de procurar um serviço de saúde, mesmo quando reconhecem que estão no vício.
A minha briga são as pessoas que se suicidam, com os dados de pesquisa que nos mostram que as bets, o jogo eletrônico, aumentam em 15 vezes o risco de suicídio, e maior esse risco entre as mulheres. A minha briga são os profissionais de saúde, que sentem na pele, nas unidades de saúde, ao longo desses anos, um crescimento exponencial de pessoas que procuram o serviço de saúde para o tema da ludopatia, para o tema do cuidado desse vício, de um tema que é contemporâneo, novo, que mesmo esses profissionais não se formaram conhecendo isso.”
Padilha acrescentou que existem outras alternativas para atender às demandas dos clubes de futebol e defendeu a manutenção da proibição das apostas.
“Certamente há outras soluções que podem resolver a briga do representante do time de futebol aqui. Eu quero trazer alguns dados que mostram, senhores, que a única e melhor solução para evitar brigas, violência é mantermos a proibição das bets”, disse.
Lula pressiona STF
Mais cedo, o presidente Lula (PT) publicou um vídeo sobre o assunto.
“É importante que a sociedade civil acompanhe, porque me parece que tem mais gente participando que interessa que as bets continuem funcionando do que as pessoas que são contra as bets. É importante que a sociedade civil participe para que haja justiça na decisão”, disse o petista.
“Poucas pessoas querem que as bets continuem, sobretudo aqueles que querem continuar ganhando dinheiro às custas da violência, às custas do sofrimento das pessoas pobres, que na perspectiva de ficar rico jogam aquilo que não têm”, acrescentou.
“A sociedade civil não pode permitir a continuidade das bets, por isso eu conto com vocês”, concluiu.
Lula e as bets
Lula assinou, às vésperas do primeiro turno das eleições, a medida provisória que acaba com a exploração, oferta, intermediação e publicidade das bets no Brasil.
A decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, em ambientes físicos e virtuais.
Além da medida provisória, o governo Lula elaborou projeto de lei para tipificar crimes relativos às apostas de quota fixa, prevendo, por exemplo, reclusão de quatro a seis anos para a exploração de apostas de quota fixa, ainda que autorizado por autoridade estrangeira.
O governo federal resolveu acabar com as bets depois de ter arrecadado quase 20 bilhões de reais com impostos.
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